O premiado espetáculo “A Noite dos
Palhaços Mudos” está em cartaz
no Teatro Eva Herz, dentro da Livraria Cultura do
Conjunto Nacional.
A montagem, dirigida por Alvaro Assad, conta com
a participação
de William Amaral, como ator convidado.
A partir da comicidade física, da lógica
do absurdo e do humor sem palavras,
“A Noite dos Palhaços Mudos”
traz os conflitos entre as intolerâncias urbanas
e o universo irreverente do palhaço, com
base no argumento da HQ original,
publicada em 1987 na Revista Circo, nº4.
Os Palhaços Mudos são seres que habitam
a cidade e dedicam-se a praticar
palhaçadas. Existe uma Seita, no entanto,
que os considera uma ameaça
alarmante e os persegue, na tentativa de extingui-los.
Numa noite de caça a dois Palhaços,
conseguem capturar apenas um e na tentativa
de matá-lo, conseguem apenas arrancar seu
nariz. O pobre mutilado escapa,
e não conseguindo suportar a vergonha ele
se desespera. Surge então o segundo
Palhaço Mudo, que entende o que aconteceu
e arrasta-o para um ousado resgate
nasal.
Perseguições em meio às sombras
misturam-se a truques de magia,
números musicais e outros absurdos cômicos,
para apresentar os conflitos
entre intolerâncias contemporâneas e
a lógica do palhaço, se é que
ela existe.
Tema recorrente da obra de Laerte, a relação
entre o real e à fantasia transforma
a trama num “policial noir” ou “clown
noir”, tornando-a preciosa para a atuação
dos atores.
Para Domingos Montagner, “nada mais instigante
para o La Mínima do que montar
um espetáculo que sempre pareceu sua própria
sinopse”. Para o ator, o embate
entre o conservadorismo intolerante e o arquétipo
do palhaço, envolve o espectador
em sua plenitude. “Em cena, os palhaços
dão as cartas. Mas o público é
quem joga
o jogo”, compara.
Neste contexto, perseguições em meio
às sombras de uma seita secreta,
misturam-se a truques de magia, números musicais
e referências contemporâneas,
numa estética cênica de inspiração
cinematográfica. Desde a música especialmente
composta por Marcelo Pellegrini, passando pela iluminação
de Wagner Freire,
até os figurinos de Inês Yuriko Sacay,
a montagem traz simbolismos e sutilezas
poéticas, que sustentam a comicidade sem
o recurso da fala.
“É uma história simples, que
contesta a falta de flexibilidade daqueles
que não entendem a relatividade das culturas,
algo que ainda é muito comum
nos dias de hoje”, lembra Laerte. Para o cartunista,
ao sofrerem uma perseguição
implacável apenas pelo fato de existirem,
os personagens remetem à própria
natureza do palhaço, que precisa lidar com
o rompimento dos tais valores absolutos
para preservar sua própria essência.
A Noite dos Palhaços Mudos
:: Temporada até dia 30 de agosto
:: Local: Teatro Eva Herz
:: Endereço: Avenida Paulista, 2073 Conjunto
Nacional (dentro da Livraria Cultura)
:: Horário: Sábados, as 21h30 e Domingos
às 19h
:: Duração: 60 minutos
:: Preço: R$ 30,00
:: Telefone: (11) 3170-4059
:: Bilheteria: de segunda a sexta 14h às
21h | sábado, das 14h às 21h30 |
domingo, das 12h às 20h |