| 17.07.09 :: Tiago
Martins |
Sapos e os mais variados insetos passaram pelo
imaginário poético
e estão minuciosamente apresentados nas obras
de Ana Elisa Dias Baptista.
Os 50 trabalhos em gravuras e desenhos representando
sapos e um caderno
de desenhos com imagens diversas de insetos podem
ser vistos na Exposição
Bestiário. A mostra acontece de 21 de julho
a 23 de agosto, na galeria Gravura
Brasileira, em Perdizes, São Paulo.
O tema central da exposição, sob curadoria
de Eduardo Besen, são os sapos,
que têm uma simbologia bastante emblemática.
Eles são mostrados nas mais
diversas posições, de forma lúdica.
As obras foram concebidas sem o foco do feio
ou bonito, integro ou incoerente.
Bestiários
Eram catálogos escritos por monges católicos
reunindo informação sobre animais,
tais como aspecto, habitat e dieta alimentar. A
maioria dos bestiários foi escrita
durante a baixa Idade Média. Por serem relatos
de terceiros, vários bestiários
sofreram influência das lendas locais, e descrevem
seres místicos como basiliscos
e dragões como se fossem reais.
Sapos
O sapo de três pernas da China era o animal
de estimação do imortal Liu Hai,
deus chinês da boa saúde. Este sapo
é símbolo de riqueza e é sempre
retratado
com uma moeda de ouro na boca. Diz a lenda que ele
é capaz de transformar
alimento em ouro.
O sapo é um antigo símbolo Egípcio,
adotado depois pelos Romanos por causa
das conquistas de territótio. A deusa Hekt
(com cabeça de sapo) é símbolo
de nascimento e fertilidade, e depois de ressurreição.
Lendas da China e da Índia dizem que o mundo
descansa nas costas de um sapo
de três pernas gigante. Quando ele se move,
isso causa os terremotos.
Na China, a rã representa o princípio
yin, lunar; seu espírito é reverenciado
por trazer prosperidade e cura.
O sapo tem grande prestígio entre os índios.
Elas são apreciadas por prenunciar
a chuva e por seus poderes de limpeza e purificação.
Os antigos índios anasazis, que viviam no
limite do Arizona com o novo México,
nos Estados Unidos, usavam azeviche e a valiosa
turquesa para fazer ornamentos
que refletiam a importância da rã em
sua cultura.
Diz-se que certos objetos e imagens curam absorvendo
literalmente a doença,
que passa da pessoa para eles. Como os sapos comem
aranhas, crê-se que podem
combater o mal e os venenos. Partes de seu corpo
eram usadas em poções mágicas
e feitiços.
Uma das lendas mais conhecidas na Amazônia
é sobre os muiraquitãs feitas
pelas icamiabas (mulheres sem marido) ou as guerreiras
amazonas. Conta-se
que uma vez por ano as guerreiras escolhiam índios
de aldeias vizinhas e,
após uma noite de amor, elas mergulhavam
em um lago para buscar pedras verdes
com as quais faziam os muiraquitãs. O objeto
era dado de presente ao índio,
que o usava como amuleto, pendurado no pescoço.
O que sobrou dessa história
são os amuletos, feitos de jade, nefreíta
e jadeída, encontrados até hoje em
toda
a região do baixo Amazonas, entre as fozes
dos rios Nhamundá e Tapajós.
Acredita-se que os muiraquitãs trazem sorte
e têm poder de cura.
Exposição Bestiário
- Ana Elisa Baptista
:: Local: Galeria Gravura Brasileira
:: Endereço: Rua Dr. Franco da Rocha, 61
– Perdizes, São Paulo, Capital
:: Aberto ao público: 21 de julho a 23 de
agosto de 2009
:: Horários: de segunda a sexta-feira, das
10h às 18h | sábados, das 11h às
13h
:: Informações: (11) 3624-0301
:: Entrada Franca
|