| Foto : ilustração
Além do bronzeamento, o sol pode causar queimaduras,
fotoalergias e envelhecimento
precoce
Segundo dados apresentados, recentemente, pela
Organização Mundial de Saúde (OMS),
cerca de 60 mil pessoas morrem por ano - a maioria devido
ao câncer de pele
- por excesso de exposição ao sol. O primeiro
relatório a detalhar os efeitos globais
da exposição ao sol também destaca
que a radiação solar é responsável
por queimaduras,
envelhecimento da pele, cataratas nos olhos, dentre
outras doenças.
Do envelhecimento precoce ao câncer de pele, o
sol pode sair deixar de ser um aliado
da saúde para transformar-se em vilão.
“Alternativas ao sol, tais como o bronzeamento
artificial e os cremes autobronzeadores também
devem ser analisadas com critério,
ainda que a promessa de adquirir 'a mais linda cor'
seja atraente”, aconselha o cirurgião
plástico Lecy Marcondes Cabral, diretor-clínico
da Clínica Integrada de Cirurgia Plástica
São Paulo.
Muito mais do que o bronzeamento
A radiação Ultravioleta (UV)
do sol, ao penetrar na pele, desencadeia reações
como queimaduras solares, fotoalergias e bronzeamento.
“Os raios UV - devido ao efeito
cumulativo da radiação durante a vida
– causam também o envelhecimento cutâneo
e alterações celulares que predispõem
ao câncer da pele”, alerta o cirurgião
plástico.
A radiação solar se divide em radiação
UVA e UVB, explica o médico: “a radiação
UVA
possui intensidade constante durante todo o ano. Sua
intensidade não varia muito
ao longo do dia, sendo um pouco maior entre 10 e 16
horas. Penetra profundamente
na pele, sendo a principal responsável pelo fotoenvelhecimento.
Tem importante
participação nas fotoalergias e também
predispõe a pele ao surgimento do câncer”.
O UVA também está presente nas câmaras
de bronzeamento artificial, em doses mais
altas do que na radiação proveniente do
sol. A incidência dos raios UVB aumenta
durante o verão, especialmente nos horários
entre 10 e 16 horas, quando a intensidade
dos raios atinge seu grau máximo. Estes raios
penetram superficialmente na pele
e causam as queimaduras solares. “Este tipo da
radiação é a principal responsável
pelas alterações celulares que predispõem
ao câncer da pele”, diz Lecy Marcondes.
Bronzeamento saudável
“Existe, entretanto, a possibilidade
de se bronzear, sem queimar a pele.
O primeiro consenso entre os médicos é
o de que os banhos de sol devem ser realizados
até às 10:00 da manhã, ou após
as 16:00, quando os raios UVA, menos danosos,
são mais abundantes”, recomenda o cirurgião
plástico, que é mestre em cirurgia plástica
pela Escola Paulista de Medicina.
É também importante ter em mente que o
resultado do bronzeamento natural e seguro
só poderá ser percebido, após alguns
dias da exposição solar. “O corpo
precisa de um
tempo para produzir melanina e liberá-la pelas
células. Por se tratar de um processo
biológico, não há como apressá-lo
sem riscos. Portanto, um banho de sol de um dia só,
com muitas horas de exposição, só
traz problemas, e não benefícios”,
defende Lecy
Marcondes.
O médico aconselha que o ideal é tomar
sol por um período de, no máximo, vinte
minutos diários durante as férias, sempre
fazendo uso de protetores solares com fatores
de proteção solar (FPS) elevados. “É
importante lembrar também que o protetor leva
aproximadamente trinta minutos para atingir sua proteção
máxima e mesmo com filtro
solar, uma parte da radiação ultravioleta
está atingindo a pele e estimulando
o bronzeamento”, diz.
Como se proteger?
Não fique vermelho, como um camarão:
“a ‘vermelhidão’ na pele é
ocasionada
pela exposição solar excessiva e sem proteção
adequada, que causa uma quebra do DNA
das pessoas” destaca o médico. É
muito importante proteger crianças e adolescentes
adequadamente. “Se o filtro solar utilizado permite
que a pele fique vermelha após
a exposição solar, é sinal que
a proteção não está sendo
eficaz e que o fator de proteção
solar deve ser aumentado ou o produto deve ser aplicado
em intervalos menores”,
recomenda Lecy Marcondes. O especialista indica como
fator de proteção mínimo
o FPS 30 e a sua reaplicação a cada 2
horas, ou após mergulho, exercício ou
suor
excessivo. O protetor para os lábios também
deve ser utilizado, durante o banho de sol.
“O uso de chapéus, durante a exposição
solar contribui para a proteção de áreas
sensíveis, como olhos, orelhas, pescoço
e nuca. Os óculos de sol com 99-100%
de proteção UV também são
um poderoso auxiliar na proteção dos olhos,
que podem
sofrer danos oculares sérios, como a catarata,
quando expostos ao sol sem proteção”,
declara o médico. O médico observa também
que “já existem, hoje, roupas que protegem
a pele de radiações solares, como as utilizadas
pelos surfistas”, diz o cirurgião plástico.
Mesmo os que decidem ficar na sombra, nas praias ou
piscinas, não estão livres
de sofrer com a radiação solar que se
reflete na água, na areia e no asfalto.
“Portanto, o uso de filtros solares por quem vai
à praia ficar embaixo do guarda-sol
também é recomendável”, reforça
Lecy Marcondes.
Após o sol
Após a exposição ao sol,
"o banho deve ser morno e rápido. Nada de
bucha de banho",
recomenda o especialista. Vale lembrar que o banho quente
resseca a pele, e que
os cotovelos e os joelhos devem receber cuidados especiais,
pois apresentam menor
quantidade de glândulas sebáceas, responsáveis
pela hidratação natural do corpo.
O uso de óleos de banho e cremes hidratantes
é recomendado para evitar a descamação
da pele e manter o bronzeado por mais tempo.
Há opções ao bronzeamento
natural ?
Hoje, existem diversos cremes e loções
no mercado, com a presença de dihidroxiacetona,
substância que provoca uma reação
química na pele, escurecendo-a. São os
chamados
autobronzeadores. Segundo o cirurgião plástico
Lecy Marcondes Cabral, “esses produtos
não estimulam a produção da melanina,
portanto não estão bronzeando, estão
apenas
tingindo a pele”. A maioria destes produtos não
causa males aos usuários, “mas ainda
assim é importante levantar a possibilidade do
aparecimento de alguma alergia”,
afirma Lecy Marcondes.
Outra opção muito em moda nos dias de
hoje é o bronzeamento artificial, feito,
principalmente, em clínicas de estética.
“É importante esclarecer que o bronzeamento
com luz artificial traz danos à pele e aos olhos
desprotegidos da mesma forma
que a exposição à luz solar. O
FDA (Food and Drug Administration), órgão
americano
que regulamenta medicamentos e alimentos, desaconselha
o uso das lâmpadas de UVA
com o objetivo de bronzeamento”, afirma o cirurgião
plástico.
Para alcançar o mesmo efeito da luz solar, as
camas ou cabines de bronzeamento
têm que estimular a produção de
melanina. Lâmpadas especiais, instaladas no interior
dessas câmaras, emitem raios iguais aos do sol.
Predominantes nos aparatos
de bronzeamento artificial, os raios UVA têm um
comprimento de onda mais longo
(320 a 400 nm). Por isso, atingem mais profundamente
a pele, penetrando na derme.
Nesta camada incidem sobre o colágeno. “Assim,
o usuário estará acelerando
o desgaste das suas células. Resultado: envelhecimento
precoce. Quanto aos raios UVB,
por seu comprimento de onda (280 a 320 nm), não
penetram tão profundamente.
Mesmo assim, são os principais agentes causadores
de câncer de pele e manchas”,
afirma Lecy Marcondes Cabral.
Lecy Marcondes Cabral
Lecy Marcondes Cabral é mestre em cirurgia
plástica pela Escola Paulista de Medicina.
Com intensa atividade profissional e acadêmica
é membro da Sociedade Brasileira
de Cirurgia Plástica, titular do Colégio
Brasileiro de Cirurgiões, fellow do Colégio
Internacional de Cirurgiões, membro da Sociedade
Brasileira de Laser e Medicina,
da Sociedade Brasileira de Queimados, da Sociedade Brasileira
de Cirurgia
Craneomaxilofacial, do Grupo Brasileiro de Melanoma
e da Academia Científica
de New York.
Clínica Integrada de Cirurgia Plástica
São Paulo
Endereço: Rua Dr. Sodré, 122. Conjunto
75 - Vila Nova Conceição.
Horário: De segunda a sexta, das 08h30 às
18h30.
Telefone: (11) 3845 0802.
( Márcia Wirth | Excelência em Comunicação
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