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Rio Grande do Sul é o Estado em que mais se fuma no Brasil. Em Porto Alegre, 25% da população é fumante || Foto Porto Alegre : Ivo Gonçalves
   
PORTO ALEGRE SAÚDE
Fumantes e ex-fumantes devem prevenir-se das crises respiratórias
de inverno
23.03.09 :: Adriana Solinas
 
O Rio Grande do Sul é o Estado em que mais se fuma no Brasil. Em Porto Alegre,
25% da população é fumante, hábito que pode levar a uma série de doenças,
entre elas a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), manifestação conjunta
da bronquite e do enfisema pulmonar. Trata-se de uma doença progressiva
e irreversível que acomete os pulmões e é causada pela inalação de substâncias
tóxicas, principalmente as do cigarro.

A DPOC afeta adultos e requer tratamento específico para controlar os sintomas.
Cerca de 15% dos fumantes desenvolvem a doença, mas uma grande parte
dos pacientes permanece anos sem diagnóstico, o que pode levar a crises
e internações, principalmente durante o inverno.

Pelo fato do inverno gaúcho muitas vezes ser rigoroso, as pessoas ficam mais tempo
em casa ou em locais fechados e sem ventilação, facilitando o contágio e a exposição
a substâncias agressivas ao pulmão, o que deve ser evitado. O pneumologista
da Santa Casa de Porto Alegre, Dr. Adalberto Rubin, lembra que o inverno gaúcho
é frio e úmido, características que prejudicam a atividade respiratória.
“A maior parte das internações e consultas de emergência acontece no inverno”,
afirma. Por isso, é fundamental ficar atento aos sintomas. “Cansaço, falta de ar,
tosse e pigarro podem ser sinais de uma doença pulmonar pré-existente e não
do avançar da idade, do sedentarismo ou mesmo de uma gripe prolongada,
como muitos pensam”, alerta Dr. Rubin.

Para se prevenir do agravamento das crises respiratórias em portadores de DPOC
é preciso cumprir algumas etapas: a primeira é estar com o tratamento em dia
acompanhado por um especialista. Apesar da DPOC não ter cura, a doença pode
ser controlada com broncodilatadores de longa duração como o brometo de tiotrópio,
que combate a doença de maneira global, melhorando a falta de ar, a qualidade
de vida e a resistência a exercícios e diminuindo as exacerbações (crises).

O uso de broncodilatadores de manutenção, como o brometo de tiotrópio é a terapia
essencial da DPOC, recomendada pelos Consensos Internacional e Brasileiro.

Além disso, fazer atividades físicas regulares e manter a alimentação equilibrada
ajudam a manter o organismo forte e saudável. Já manter as vacinas em dia previne
gripes e infecções pulmonares. Segundo o pneumologista, qualquer pessoa pode
iniciar agora a prevenção para o inverno, sendo que em 30 dias é possível fazer
todos os exames e iniciar o tratamento para proteger o pulmão contra as doenças
respiratórias características deste período, se for preciso.

Não se pode esquecer que a DPOC é uma doença progressiva, ou seja, sem
tratamento avança com o tempo. A falta de diagnóstico leva ao agravamento
da doença, por isso é preciso começar o tratamento o mais rapidamente possível
e assim prevenir as crises. Não se deve retardar o diagnóstico. “Quanto mais cedo
for diagnosticada a DPOC, melhor será a resposta ao tratamento” afirma Dr. Rubin.



DPOC em números (DATASUS)
- A DPOC afeta 7,3 milhões de brasileiros, sendo mais de meio milhão, 530 mil,
residentes no Rio Grande do Sul
- É a sétima causa de morte no País, responsável por mais de 37 mil óbitos por ano,
o equivalente a 4 mortes a cada hora.
- Em 2008 mais de 128 mil pessoas foram hospitalizadas no SUS devido à doença,
a um custo de 76 milhões de reais.
- 90% dos casos de DPOC são causados pelo cigarro
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