Não existe outra peça no vestuário
da mulher que tenha sido alvo de reações
tão diferentes do que a calcinha. Ela também
foi o motivo de rostos corados,
risadas francas e até constrangimento.
Sua história ao longo dos anos, a evolução
e importância dessa peça estão
descritas no livro “Por baixo do pano –
A história da calcinha”, da autora inglesa
Rosemary Hawthorne (Matrix Editora). São pouco
mais de dois séculos de existência
– e isso não é quase nada se comparado
a outras peças do vestuário.
Tudo começa em 1790, quando os ventos da moda
sofreriam uma mudança
drástica de direção. A Revolução
do Povo que irrompeu na França levou a uma
simplificação geral do vestuário
na Europa inteira, e as mulheres passaram a usar
elegantes vestidos de cintura alta inspirados na vestimenta
das gregas antigas. Confeccionados em fina musselina,
os chamados “vestidos império”
eram
tremendamente sensuais e estavam no auge da moda –
mas também deixavam
as partes baixas um tanto arejadas demais. E, assim,
foi por volta de 1800
que as calcinhas tiveram sua primeira grande chance
de fazer História.
O primeiro modelo a aparecer no mercado, chamado de
calção ou pantaloon,
em geral chegava abaixo dos joelhos ou até
os tornozelos e era feito de um tecido
“cor de carne” semelhante ao das meias
finas. Consta que ele foi adotado
apenas pelas mulheres importantes do Diretório
Francês e por algumas das damas
mais ousadas da sociedade ocidental, sintonizadas
com a vanguarda da moda.
Já na Inglaterra, Em 1901, com o falecimento
da Rainha Vitória, seu filho
mais velho, Edward VII - subiu ao trono. E, durante
os seus nove anos de reinado,
as mulheres inglesas trajaram belas roupas, pois não
era segredo
que o Rei admirava a beleza feminina, e toda a Corte
e a alta sociedade refletiam
as preferências reais favorecendo mulheres elegantes
e bem-arrumadas.
Passando ainda pela feminista americana Amelia Bloomer
e chegando
até o fio-dental, o livro mostra que a calcinha
está relacionada tanto à moda
quanto aos direitos da mulher.
Você sabia...

Que antes de 1800 nenhuma mulher respeitável
usava calcinhas?

Que as mulheres vitorianas vestiam, por baixo das
suas anáguas,
calçolas que cobriam parte das pernas?

Que na época da Segunda Guerra as europeias
tricotavam à mão as suas
próprias calcinhas?
Autora
Rosemary Hawthorne formou-se em Artes Dramáticas
pela Royal Academy
antes de voltar seus interesses para o estudo do vestuário.
E, a partir de então,
tornou-se a maior autoridade britânica em História
da Roupa Íntima, acumulando
um vasto acervo pessoal de peças de interesse
histórico. Hawthorne é conhecida
hoje no Reino Unido como Knicker Lady, a Dama das
Calcinhas,
nome do espetáculo solo que apresenta com sucesso
nos palcos do país.
Livro
:: Por baixo do pano – A história da
calcinha – 136 páginas :: Preço
: R$ 21,90*
* valor em 17.07.09