| À
DERIVA traz toda sua sensibilidade à avant première
em Búzios |
| 24.07.09
:: TEXTO : Aline Santana || FOTOS : Marcelo Dutra |
O público buziano fez fila na quinta-feira
(23.07), para prestigiar as duas sessões
inéditas (uma às 21h e outra às
23h) do longa-metragem “À DERIVA”,
no Cine Bardot. O filme estreou com sucesso ao ser
recebido com cinco minutos
de aplausos em sua primeira exibição
no Festival de Cannes, na mostra
"Un certain regard". À DERIVA que
foi filmado na pequena península fluminense
tem estréia prevista nos cinemas brasileiros
no dia 31 de julho e foi apresentado
respectivamente, nos dias 20 e 22 de Julho, nas
cidades de São Paulo
e Rio de Janeiro.
O diretor Heitor Dhalia, confessou
que em Cannes estava nervoso: "Eu estava
muito emocionado e tenso. Quando se aplaude o filme
num festival, normalmente
esses aplausos acontecem no cinema. Na hora só
senti alívio. Agora é que eu estou
começando a ter percepção da
boa recepção que "À Deriva"
teve lá fora",
disse Dhalia. O diretor contou que todo o longa-metragem
teve inspirações
autobiográficas - especialmente na separação
de seus pais. Para ele, o grande
"dilema" agora é fazer com que
sua mãe assista ao filme.
Dhalia conta que um ponto essencial na direção
do filme foi contar com atores
que entendessem aquilo que ele queria passar ao
público. "As filmagens
foram muito orgânicas e as cenas tinham que
ser muito naturais.
Para conseguir isso, eu precisava de um elenco como
o que tive".
A estreante Laura Neiva foi escolhida
para interpretar Filipa, uma menina de 14 anos
que tenta entender o que se passa com seus pais
- um francês (Vincent Cassel)
que tem uma amante americana e a mãe (Déborah
Bloch), devastada com a situação
de sua família. Laura disse que não
sabe se vai continuar a atuar, mas teve boas
impressões ao trabalhar ao lado de Heitor
Dhalia. "Se for tão divertido quanto
fazer
esse primeiro filme, acho que vou seguir carreira",
empolga-se.
A escolha de Laura foi o ponto principal para que
Vincent Cassel, que agora
se considera um franco-brasileiro, aceitasse participar
do filme. "Quando a vi,
fiquei muito tranqüilo. É Laura quem
dá luz ao filme. Se ela funciona, o filme
também funciona", elogia. O ator francês
também elogiou o trabalho do diretor:
''Não é a nacionalidade que muda o
projeto, são as pessoas. Depois do convite
para fazer o filme (À Deriva), vi O Cheiro
do Ralo, e soube com qual diretor
iria trabalhar. Adoro a cena final porque passa
a emoção do filme''.
Déborah Bloch avalia seu
ingresso num longa-metragem de repercussão
internacional com muito êxito. "Gostaria
de me ver mais vezes no cinema e queria
estar no próximo filme do Heitor", adianta.
O trabalho na TV não fica em segundo
plano (ela vive a personagem Silvia, na novela Caminho
das Índias, da Globo):
"A televisão é mais descartável,
mais superficial e isso não quer dizer que
ela é pior.
A TV tem uma função importante: divertir
as pessoas que não tem dinheiro
para pagar um ingresso no cinema".
“Não pretendo fazer julgamento das
pessoas. Quero apontar para as possibilidades
de um recomeço", afirmou Heitor
Dhalia, que já está filmando
outros dois filmes
em parceria com a O2 e segue para a Argentina no
ano que vem para a produção
de outro longa metragem. O diretor revela que, ao
contrário de muitas histórias,
resolveu deixar os momentos de tensão "mais
claros e ensolarados, como os contos
de Tchekhov e aproveitando o sol de Búzios".
Durante a estréia em Búzios, Heitor
afirmou que “À Deriva está em
Búzios e Búzios está no À
Deriva”...
Para o cineasta e proprietário do Cine Bardot,
Mario José, o filme À
Deriva
tem o grande mérito de fazer com que uma
história simples seja bem apresentada
sem cair no lugar comum. “O primeiro roteiro
de À Deriva foi escrito em 2005,
mas sua produção começou só
no final de 2007. O Cine Bardot foi palco
de celebridades com a presença de Dhalia,
da protagonista Laura Neiva,
da diretora de arte Guta Carvalho, as produtoras
Ana Barata Ribeiro e Bel Berlink
e o diretor de fotografia Ricardo Della Rosa, mas
na verdade, Dhalia escolheu
realizar a avant première em Búzios
para homenagear as pessoas que colaboraram
para o sucesso do filme”, finalizou Mario
José. Dhália dedicou a sessão
ao cineasta
Mário José, que durante o seu discurso
afirmou que Búzios tem condições
de se tornar uma “cidade produtora de grandes
filmes e não somente “locadora”.
Além disso, os executivos da Paramount do
Brasil e América Latina, César Silva
e Jorge Pelegrino estiveram presentes ao lado do
casal Selma Nunes e José Carlos
da Warner. O prefeito Mirinho e a primeira dama
também prestigiaram o longa
ao lado do Secretário de Turismo Isac Tilinger.
Para a francesa Emmanuelle Meeus de Clermont
Tonnerre, proprietária do Hotel
Boutique Insólito, "a cultura é
a melhor maneira de divulgar uma cidade ou um país.
O melhor exemplo disso é ver o que a sétima
arte já fez por Paris ou Nova York.
Fico muito feliz que o novo filme do Heitor Dhalia
tenha sido feito em Búzios
e especialmente orgulhosa pelo Hotel Insólito
ter hospedado a equipe e servido
de locação para as filmagens".
Já a estudante Fernanda Cansanção,
que fez figuração no longa-metragem,
afirmou que a equipe de produção foi
super acolhedora. “ O clima entre todos
os envolvidos com a produção foi maravilhoso.
As madrugas geladas que ficávamos
aguardando para entrar no set eram sempre divertidas.
Foi um grande prazer
ter visto o lado contrário das câmeras.”
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