| Natália
Guimarães na Revista Nova |
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Aos 22 anos, Natália Guimarães
ganhou as páginas dos noticiários
do mundo todo ao ficar em segundo
lugar no Miss Universo 2007,
após uma final considerada por muitos
injusta. Mas, essa capricorniana
demonstrou tanta fé em seu taco
que agora não lhe faltam convites
profissionais, parece até que ela
foi a vitoriosa.
Mostrando muita elegância,
ao ser questionada se achou
que o resultado do concurso
foi 'estranho', a morena de Juiz de Fora
não criticou os jurados
nem a japonesa Riyo Mori,
que levou o título.
“Se eu tivesse vencido, não iria
gostar que questionassem a escolha”,
disse à NOVA de julho/07. |
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E não foi uma resposta politicamente correta.
A bela já viveu o outro lado da história:
“Quando ganhei os títulos de Miss Minas
Gerais e Miss Brasil, algumas garotas
comentaram que o resultado havia sido manipulado.
A maior prova de que estavam
erradas veio com o meu desempenho no concurso mundial.
Ou seja, não cabe
agora a mim fazer o papel da injustiçada".
A beleza de Natália é reconhecida desde
os 13 anos, quando o dono de uma
filial da Elite a selecionou para participar de um
desfile com outras meninas do colégio
onde estudava, em Belo Horizonte. “Nunca pensei
em seguir essa profissão. Sempre
fui muito moleca — me achava até cheinha.
Naquela época, gastava toda a minha
mesada em uma loja de doces perto da escola”,
revela. Nos dois anos seguintes,
essa garota de brilho forte foi chamada para vários
eventos. Só então fez o curso
de modelo e um book. Mas a transformação
de menina bonita em Cinderela
das passarelas só começou a acontecer
na época em que cursava a faculdade
de Arquitetura. Cansada de virar as noites fazendo
projetos para as aulas e ainda
equilibrá-las com o trabalho, resolveu dar
um tempo de seis meses nos estudos
e visitar o pai em Nova York. O objetivo era aprimorar
o inglês, passear e descansar.
Em questão de semanas, o vendedor de uma loja
de roupas disse, boquiaberto,
que precisava apresentá-la a uma amiga, dona
de agência de modelos. Natália
passou os dez meses seguintes desfilando na capital
do mundo.
De volta ao Brasil — a fim de se preparar para
ir morar definitivamente nos Estados
Unidos —, ela mais uma vez mostrou que tem estrela.
No elevador do prédio
do dentista, o dono de outra agência a convidou
para se inscrever no Miss Minas
Gerais. Em seis meses, a bela participou de cinco
concursos. Venceu três
e se classificou em dois. “Como diz o mineiro,
sou do tipo ‘come quieta’:
calada, mas esforçada e atenta a tudo à
minha volta”, compara.
Autoconfiante, Natália afirma que essa força
interior vem do apoio da família,
da crença em Deus e do fato de não dar
bola para a torcida adversária: “Penso
que,
se eu batalhar pelo que acredito, vou chegar aonde
quero, independentemente
do que fizerem ou disserem. Por exemplo, quando comecei
a carreira de modelo,
ouvi de uma funcionária da agência que
eu só conseguiria algo na vida se mudasse
de nome, pois era muito comum. Respondi: ‘Imagine!
Quero vencer assumindo
a minha identidade!’”. Sobre os bastidores
do concurso, Natália conta que no primeiro
dia de ensaio, o coreógrafo caiu de boca no
chão e quebrou um dente. No outro,
a Miss China despencou do palco e rasgou a calça.
“Muitas tropeçaram, porque o piso
era de vidro – liso feito sabão -, para
dar um efeito espelhado com a iluminação.
Percebi que estava perigoso e, na véspera do
desfile, pedi para colocarem
uma borrachinha na sola dos meus sapatos e subirem
a barra dos meus vestidos.
Depois dizem que Miss é burra!”, comenta.
Natália afirma que sempre foi tratada
com respeito, mas que tem consciência de que
as misses são vistas com certo
preconceito. “Engraçado que, para ser
selecionada no concurso, uma mulher
não pode ser apenas bonita. Precisa estar em
uma faculdade, ser articulada,
falar outros idiomas. E, detalhe, meu livro de cabeceira
não é o Pequeno Príncipe”,
enfatiza. |