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Um clássico
conto de fadas
por Marta Araujo
Demorei, mas assisti o filme Sex and the City.
Fui ao cinema com minha filha
Marina, historiadora, responsável pela quase
totalidade deste texto. Ele tem,
portanto, um olho da experiência e outro da
paixão. O filme segue com sucesso
a temática que o tornou tão popular
como série de TV no mundo inteiro: o retrato
do mundo das mulheres em um período que podemos
chamar de pós-feminista.
Elas são uma espécie de estereótipo
da emergência de novos valores sociais
e culturais que estamos vivendo no final do século
XX e início do século XXI.
Estes valores se tornam tão claros no filme
pelo fato destas mulheres não terem
nenhum tipo de preocupação financeira
ou amarras sociais (pois vivem no centro
da vanguarda contemporânea – Manhattan)
que possam colocar estes valores
em segundo plano. O filme é como se fosse uma
junção dos diversos episódios
finais da série, com mulheres agora mais maduras
e com diferentes preocupações,
mas que sempre analisam seus problemas com bom humor
e os resolvem vestidas
em roupas de designers famosos e sem nenhum tipo de
moral ou culpa. No mundo
“Sex and the City”, as mulheres não
têm vergonha de gastar fortunas. São
fontes
de prazer e satisfação de seus próprios
desejos.
A história central do filme, o romance entre
Carrie e Big, é uma releitura do clássico
Cinderela, com o sapatinho de cristal revitalizado
agora, na forma de um Manolo
Blahnik azul. O trunfo do filme é retratar
escolhas livres sem hierarquização
de valores, devolvendo à mulher o que o feminismo
do século passado negou
no momento que oferecia: a possibilidade de escolher
que tipo de mulher se quer
ser, sem padrões a seguir. Longe de serem manipuladas
pela indústria do consumo,
elas apenas querem a liberdade de procurar em Nova
York o que toda mulher
procura: “labels (etiquetas) and love (amor)”.
As mulheres de Sex and the City
não dependem de homens para organizar suas
vidas, e é por isto mesmo
que uma história de amor tradicional é
tão desejada: pois é uma escolha.
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