ARTIGOS
 
Discutindo a relação
Ana Mello

Discutir a relação é coisa do mundo moderno e dá até um frio na espinha quando
alguém diz que quer fazer isso com a gente. Nada mais é do que uma boa conversa,
só que marcada com rótulo de agora é para valer, agora vamos concluir alguma
coisa e essa alguma coisa vai gerar uma mudança.

Amigos também discutem a relação, colegas de trabalho e parceiros de amor,
todo mundo, mesmo que com outro nome.

Mas os casais têm lá suas peculiaridades, nas relações de curta ou longa duração.
Teorias minhas é claro. O que pode gerar longas discussões. Quando um
dos parceiros é muito da paz, faz tudo pelo outro, acaba acontecendo um abuso,
mesmo que não criminoso, da outra parte. Então, quando o bonzinho deixa
de cumprir alguma de suas tarefas ou faz algo inesperado, é motivo para peleja.

Geralmente o bonzinho sofre perseguição por qualquer coisa suspeita que faça,
coisas que possam gerar ciúmes no menos obsequioso.

O foco do momento é o ciúme virtual. Ciúmes dos e-mails, do MSN, das amizades
distantes na internet. Concordo que na web alguns podem ser o que realmente
gostariam e comportam-se como tal. Mas raramente relações falsas resultarão
em algo verdadeiro.

Não importa. A mulher de um amigo meu, ou seria de um amigo de um amigo meu,
implica com tudo que ele faz no computador. Vigia o MSN dele e basta que ele
vá ao banheiro para ela ir correndo dar uma fiscalizada onde ele anda clicando.
Se pega uma beijoca de despedida ou um jogo on-line com um personagem
feminino, faz greve geral. Já falei para ele firmar posição, chamá-la para discutir
a relação. Ele responde na hora:
- Estás louca, vai que ela me tire o computador.
 
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