Benzedeiras
Ana Mello
Fiquei surpresa ao receber o convite para o lançamento do livro Benzedeiras
& Benzeduras, das autoras Elma Sant’Ana e Delizabete Seggiaro. O livro
é da editora Alcance e tem apoio institucional do Fundo Editorial do Sindicato Médico
do Rio Grande do Sul (SIMERS). Minha surpresa baseou-se no fato de já fazer muito
tempo que não ouço ninguém dizer que conhece alguém que benze ou que recorreu
a uma reza para se livrar de algum mal.
Na minha infância fui benzida várias vezes. Morávamos perto da dona Lúcia,
uma benzedeira de muita credibilidade. Eu era muito bonitinha e meus pais diziam
que pegava quebranto facilmente. O tal quebranto é uma falta de energia,
que deixa abatido ou desanimado.
Diziam que determinadas pessoas que admiram muito a gente e ficam com inveja
de algo em nós, nos colocam quebrante. Íamos a dona Lúcia e ela falava palavras
que eu não entendia com um galho de uma plantinha na mão, acho que era arruda.
Eu ficava bocejando, com a maior sonolência, hipnotizada. Mas quando saia de lá
estava bem novamente, com vontade de brincar e correr.
Acredito que benzer é como um passe do espiritismo, onde a pessoa transmite
energias positivas e curadoras. Quando não tem interesse de pagamento faz muito
bem, é como um carinho, um desejo de felicidade. As palavras são como um mantra.
Uma associação boa. Como aquelas que fazemos em relação a um perfume
ou música que nos faz lembrar de coisas boas que aconteceram.
O lançamento do livro será no Solar dos Câmara, dia 11 de setembro,
em Porto Alegre. E a editora Alcance é aquela que vai promover o Projeto 24h
de Poesia aqui em Porto Alegre e no Rio de Janeiro.
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