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Queda do dólar e o turismo doméstico

Paulo Costa*
Preocupação é o primeiro sentimento do empresário voltado ao segmento de turismo
doméstico ao constatar a valorização do real frente ao dólar, aparentemente
irreversível em curto prazo. “Pronto, vai todo mundo viajar para o Exterior”
é a inevitável frase que vem à mente. De fato, a questão cambial tem relevância
na escolha de uma viagem, mas há outros fatores determinantes, dentre eles o grau
de atratividade de um destino. Neste aspecto, poucos países oferecem tantas opções
quanto o Brasil. Praias paradisíacas, hospitalidade, clima excepcional, diversidade
geográfica, grandes festas populares, riqueza cultural, rede hoteleira de primeiro
mundo, gastronomia inigualável e exuberantes reservas ambientais protegidas
são alguns dos atrativos que enchem os olhos do turista no momento de decidir
sobre as férias. Com tantos lugares e atrativos para se explorar dentro do país,
muitos brasileiros preferem viagens nacionais às internacionais, mesmo com
a recente queda do dólar. E este aumento percentual no fluxo do turismo interno
representa um beneficio que atinge o setor como um todo.

Dessa maneira, o setor deveria unir-se e concentrar esforços para atender
e incentivar o turismo nacional. A preocupação com os visitantes que saem do país
deve ser deixada um pouco de lado, quando a grande maioria ainda opta por passar
as férias no Brasil. Parte fundamental desse esforço é a constante melhoria
dos serviços prestados ao turista, num processo amplo, que deve envolver a rede
hoteleira, restaurantes, prestadores de serviços em cada localidade, taxistas e até
mesmo o setor público, considerando que infra-estrutura de transportes, limpeza
e urbanismo são fatores importantes para o bem-estar dos visitantes.

Inegavelmente, o Brasil tem o mais atrativo patrimônio turístico do mundo. Isto já
lhe garante um fluxo importante no plano doméstico e um razoável movimento
de visitantes estrangeiros. Com ou sem a influência do câmbio, podemos transformar
o turismo em uma de nossas mais rentáveis fontes de divisas, se o tratarmos com
o profissionalismo de um segmento incluído entre os mais dinâmicos e rentáveis
do mundo.

* Paulo Costa, advogado e administrador da Pousada Villa Camboa.