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Data marcada
Ana Mello
Tenho andado irritada com compromissos marcados, daqueles
em que não posso
interferir.
Dia dos pais, dia das mães, das crianças,
Páscoa, Natal, Carnaval.
Quero mudar tudo isso. Ter meu próprio carnaval,
fazer o Natal quando for preciso.
Colocar a Páscoa
no inverno que é melhor para comer chocolates.
Agora tem dias das mães, e tem mãe da esposa,
mãe do marido e a própria esposa
que é mãe
dos filhos. Não seria legal um dia para cada mãe?
Assim como no aniversário que cada tem o seu.
As lojas ficam lotadas. As propagandas enjoam, e nem
sempre podemos comprar
o que os homenageados merecem.
E temos até dia da sogra, o que acho que não
está muito popular, pois data
para presentear
a sogra não é uma unanimidade de aprovação.
Temos ainda dia do índio, da árvore, até da
bandeira tem dia.
E um monte de datas históricas que decorei desde
criança.
Dia do colono, do motorista, do escritor, da mulher.
Todo dia é dia de alguém.
Gosto de escolher um dia especial para pessoas especiais.
Um dia assim, qualquer,
a gente vê uma amiga precisando
de um abraço, de um presente. Vai lá e
dá junto
um sorriso. E faz do dia um dia do amigo,
do beijo, mas por escolha, sem ninguém
determinar.
Quero hoje um dia sem data marcada para nada. Nem para
visitar, para vencer
ou perder. Um dia só para
ser.
E da minha coluna em sortimentos, é claro.
No fundo é isso, temos dias marcados para que
as pessoas se programem,
para que não se esqueçam
de presentear, dar atenção e carinho. |
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