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Perseguição
Ana Mello
Tenho uma amiga que mora em São Paulo e trabalha
com vários estagiários
de nível superior. Conversamos muito sobre isso
porque temos filhos que logo
estarão no mercado de trabalho e porque ela faz
observações sobre a postura
dos jovens que revelam falta de educação
em casa.
Nós sabemos que os filhos longe dos pais agem de
maneira diferente, mas aquelas
coisas básicas, como cumprimentar os colegas de
trabalho, ceder o lugar aos mais
velhos, pedir licença e agradecer, só faz
quem é bem educado.
Outras coisas ficam evidentes também. Uma delas
é a rejeição gratuita que certas
pessoas sofrem. Teoricamente só porque não
se integram as características do grupo.
São diferentes.
Alguns são perseguidos e nada do que fazem está
bom. Por um critério particular
do grupo ou de alguém do grupo ele é recusado.
Muitos dos agressores, pois isso
é uma agressão, um preconceito, passam o
tempo boicotando, falando mal da sua
vítima. E o sujeito, se não tiver personalidade
forte ou não for ajudado, acabará
desistindo. Desistindo de um salário, de uma oportunidade.
Essa perseguição muitas vezes não
tem uma lógica e o problema não está
no perseguido. O problema é do grupo, ou dessa
pessoa que adora humilhar
e perseguir. Por motivos difíceis de avaliar. Por
inveja talvez, por medo da disputa,
de perder um espaço que acha que lhe pertence,
por fraqueza, por uma falha
no seu caráter, sabe-se lá.
Interessante é que isso ocorre também com
outros profissionais, mais maduros,
mais qualificados. E daí fica mais feio ainda.
Talvez esses profissionais não tenham sido bem
orientados quando eram apenas
estagiários ou não tenham tido uma boa educação.
Acho que em muitos casos
são doentes mesmo. Perseguição é
prova de injustiça e crueldade. |
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