|
Outra da LILI
Ana Mello
A Lili é uma boneca que eu tinha quando era criança.
Uma personagem fantástica
que assumia muitos papéis.
A minha boneca ocupava também o lugar de minhas
amigas reais quando elas não
podiam brincar. Essa era a melhor parte porque eu podia
descarregar minha raiva
e dar uns tabefes na boneca. Ou forçá-la
a fazer coisas que a tal amiga nunca faria.
Mas todos crescem e a Lili foi brincar de ser gente
com outras meninas. O que restou
foi minha mania carinhosa de chamar minhas amigas de
Lili. Assim posso contar
as aventuras de qualquer uma delas. Afinal, todas são
um pouco personagem
e fazem parte da minha vida.
Pois a Lili veio me visitar um dia desses. Está
bem, com um bom emprego e linda.
Decidida, segura. Mudou muito nesse tempo em que ficamos
afastadas.
Ela reconhece e afirma que antes era ovelha. Ficava
ali parada e deixava qualquer
um lhe indicar o caminho. Se fosse dia de tosquia, mal
dava uns balidos.
Agora tudo é diferente. Acordou para vida e para
seu verdadeiro papel
- protagonista. Continua divertida, cheia de boas coisas
para contar. Adorei quando
ela relatou a história do cachorrinho do João,
seu filho de quatro anos. O João tinha
sofrido muito com a morte de seu peixinho e agora, por
azar o cachorrinho ficou
doente e morreu. Isso quando o João estava viajando.
Na iminência da chegada do menino, Lili ficou
indecisa, não podia revelar assim
a morte do cãozinho. Prontamente inventou que
ele estava na clínica veterinária.
O que só piorou as coisas e ela resolveu substituir
o primeiro por outro cachorro,
um pouco diferente, não deu tempo para escolher
melhor.
O João foi buscar o amigo e logo ficou desconfiado,
mas os dois, menino e cachorro,
fizeram amizade. Só que o menino que não
tem nada de ovelha foi logo dizendo:
- Como esse cachorro está diferente! Não
é mãe?
|