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Eu me acho
Ana Mello
A gurizada fala que o cara se acha. Ele tem confiança
em si mesmo, auto-estima
elevada. É o cara! Entendo esse cara, eu também
me acho. Falta de modéstia ?
Nada disso. Explico melhor. Sou exibida eu sei, mas
não é só isso.
Faço parte do grupo de pessoas que estão
sempre procurando oportunidades
para fazer o que gostam - no bom sentido é claro.
No trabalho, no lazer. Quando
gostam de livros estão sempre atentas a livrarias
novas, ao livro que o passageiro
do lado está lendo, as dicas de leitura do jornal.
Os amantes de carros e motos não perdem as páginas
especializadas nos jornais,
os programas da TV, não deixam de olhar os carros
e motos que circulam
pelas ruas da cidade.
Oportunidades de trabalho são sempre bem vindas.
Acredito que isso é estar focado,
ter objetivos. Não significa ignorar outras coisas,
deixar de ver novidades ou ser
incapaz de ver o que não esteja na sua lista
particular de preferências.
Nada de extremos. Gostamos de projetos novos, de desafios.
Ousar, mas com
embasamento. Não dá para sair por aí
bancando o especialista que isso será
encrenca na certa. Mas já percebi que o saber
não é tudo. O conhecimento teórico
é importante em qualquer profissão e a
vivência é o complemento. Um olhar
particular que dá alma ao aprendizado.
A conclusão que cheguei é que tem gente
que tem alma apertada, como dizia
um amigo do pai de uma amiga minha. É o caso
dos baixinhos, assim como eu.
Como a alma é tamanho único, fica sufocada,
inquieta, e quer fazer coisas.
E se acha competente para fazer. Talvez todos esses
pensamentos venham
da overdose de chocolate. Normal depois da Páscoa.
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