Indústria da moda
por Marta Araujo
Diariamente me surpreendo com os efeitos que a indústria
da moda causa
no comportamento das pessoas. São muitos e variados,
dependendo da maneira
de como cada um encara este bombardeio de informações
que tem a pretensão
de estimular um consumo mais caro, alegando diferenciais,
muitas vezes, sutis.
Penso que consumir produtos de griffes ou mesmo de luxo
tem vantagens inerentes,
pois presume-se qualidade, durabilidade e design contemporâneo,
até quando
têm uma linguagem mais convencional.
No entanto, assisto homens e mulheres deslumbrados com
a aquisição de produtos
de uma ou de outra marca, que se esquecem ou dão
pouco valor para a sua
utilização, causando mais a impressão
de que conquistaram um carimbo
para um mundo até então inatingível.
Isto, na verdade, é paradoxal, pois indica
desconhecimento ao invés de sofisticação.
Vejo a indústria da moda de outra maneira. Trabalho
com várias empresas
que investem fortemente para dar um ar de exclusividade
aos seus produtos
e aos seus serviços. São incansáveis
na busca de novas matérias-primas,
no desenvolvimento de novos processos de fabricação
para qualificarem
seus artigos. Noto estudos e pesquisas das tendências
mundiais, que observam
o comportamento humano nas grandes e pequenas cidades,
na tentativa
de entender os desejos mais secretos do ser humano.
Enfim, tudo para oferecer
um maior conforto e uma sensação de bem
estar. Portanto, acho que somos
afortunados por termos a oportunidade de desfrutarmos
todo este aparato.
Basta apenas sermos conscientes para adquirirmos produtos
que realmente
necessitamos com uma qualidade nunca atingida.
Uma definição de moda pode ser encontrada
no rosto e na alma do estilista
Walter Rodrigues. Uma serenidade de quem sabe fazer
com uma humildade
de quem deseja servir.
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