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ARTIGOS E COLUNAS

Minicontando
Ana Mello

Homose
As mulheres da casa deixavam suas marcas por todos os lados. A comida, os doces,
as pinturas no banheiro, as bonecas. No varal as roupas que dançavam com o vento.
O perfume de alfazema nas folhas dos livros e os fios de cabelo comprido
na penteadeira. Foi inevitável querer ser uma delas.

Extravio
À noite, quando a casa dormia, escondida, ela escrevia poesias.
Dizia do que via nos dias, no vento, na chuva. Dizia do que sentia e não revela
a mais ninguém. Disse muito, sobre tudo. Tanto, que virou palavras, perdidas
nos cadernos, nas paredes, na terra solta do canteiro do jardim.

Estrige
Acordou diferente, sentindo-se fraca.
Não lembrava quase nada da noite anterior.
Bebera demais.
Olhou-se no espelho.
Lembrou então do beijo, do homem,
do perfume. E sentiu a dor da mordida no pescoço.

Recorrente
Ela gostava quando doía, quando sangrava.
Ele aceitava.
Com as costas arranhadas e as orelhas mordidas.

Provocação
Ele falou pra não pisar que quebrava.
Pisei forte, sorrindo pra ele.
Não agüentou e pisou também, com medo.
Apanhou e ficou de castigo, não devia quebrar a bengala da Dindinha.