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Confiança
Ana Mello
Desde criança considero muito importante a confiança
das pessoas nas minhas
atitudes, na minha maneira de ser e agir.
Quando eu tinha doze anos, apareceram dois homens bem
vestidos na nossa
casa, usavam terno e gravata. Identificaram-se como representantes
de cultura
e educação do governo do estado e disseram
que estavam fazendo um trabalho
em parceria com as escolas da cidade. Meus pais ficaram
surpresos e humildemente
escutaram toda a conversa dos visitantes. Também
ficamos na sala, meu irmão e eu,
sentados em banquinhos, pois os melhores assentos ficaram
para os visitantes.
Minha mãe serviu suco e bolo. Depois de uma longa
conversa eles disseram
que na minha escola tinham dito que eu apresentava dificuldade
de aprendizado e,
portanto, necessitava de livros mais especializados para
estudar em casa.
Meus pais deveriam adquirir uma enciclopédia.
Na hora eu tremi de medo só com um olhar que minha
mãe me dirigiu. Fiquei menor
e mais magrinha. Quando terminaram de falar, meu pai já
foi perguntando
em quantas vezes poderia fazer para pagar os livros. Mas
minha mãe respirou
fundo, colocou a mão no braço do meu pai
e sentenciou:
- Nós primeiro vamos conversar na escola. Não
acredito que minha filha tenha
nenhuma dificuldade, e se tiver, os professores terão
que me dizer primeiro.
Claro que era tudo conversa dos vendedores de enciclopédia.
Daqueles que eram
malandros, pois muitos trabalhavam honestamente. A diferença
foi a segurança
da minha mãe. A confiança que ela tinha
em mim, na minha escola e nos meus
professores. E a clareza para buscar as informações
onde realmente elas deveriam
estar. |
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