Oxímoro
Ana Mello
Em uma oficina da Feira do livro com o professor José Guaraci Fraga, falamos sobre
várias figuras de linguagem. Dentre elas o oxímoro, que segundo Cláudio Moreno,
outro excelente professor, 'é uma figura da Retórica Clássica que consiste
em combinar, numa só expressão, dois termos considerados antagônicos, obtendo-se,
com essa combinação inusitada, uma série de efeitos literários e expressivos:
um silêncio ensurdecedor, um supérfluo essencial, boatos fidedignos, espontaneidade
calculada, mentiras sinceras, crescimento negativo'. O nome vem do Grego oxus,
'afiado, agudo, penetrante', mais moros, 'tolo, idiota', e teria sido criado pelos retóricos
exatamente para designar essas expressões sutis e irônicas que parecem,
à primeira vista, pura bobagem. (Fonte: Sua Língua).
Logo pensei na minha crônica sobre cremação e o poema de Camões, Amor é fogo
que arde sem se ver. No seu artigo, Moreno também cita o poema de Camões
que é todo escrito com oposições. Tenho meus oxímoros preferidos e como outros
autores também acho que eles casam bem com textos de humor, com ironia,
embora eu não use muito. Uso mais pleonasmo, o contrário de oximoro, e que serve
mesmo para reforçar, dar ênfase. Gosto de realçar ao escrever.
Meus oxímoros favoritos são: Silêncio eloqüente, ilustre desconhecido, claro enigma,
contentamento descontente. Gosto muito das poesias de Fernando Pessoa e sua obra
é caracterizada por imagens que se opõem, paradoxos, oxímoros.
Oxímoros a parte, a beleza está na forma como utilizamos as palavras e não
no conceito que essa forma possa ter. Mas a curiosidade despertada por um termo
adormecido, um conceito relembrado é uma boa oportunidade para ler e pesquisar. Experimente! |