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COLUNISTA ANA MELLO
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TEMPO || Coluna Ana Mello
   
Tempo
Ana Mello *  

Alguém uma vez me disse que não conseguia aceitar a velhice da mãe,
porque ela sempre teve personalidade forte, decidia tudo sozinha
e de uma hora para outra ficou dependente, frágil. Na época eu apenas
ouvi e não achei que fosse assim, que para os filhos fosse tão complicado
trocar de papéis e ficar responsável pelos pais.

Muitos negam, não por falta de amor, mas por não conseguirem assumir
as novas obrigações. Acho que a gente perde a referência de proteção,
afinal existia alguém a quem sempre poderíamos recorrer e que nos apoiaria
em qualquer circunstância e que aos poucos parece perder a força.

Várias situações ocorrem. Alguns idosos não querem que os filhos interfiram,
outros filhos que se afastam para não ver a velhice dos pais. Alguns deixam
completamente suas vidas para viver a deles. Julgar não é correto, pois cada
um tem sua história e coisas que precisa enfrentar e apreender.
Analiso minha família e as famílias próximas e realmente não há regras
ou fórmulas. A ideia é tentar fazer o melhor.

Os avós ficam ofendidos quando queremos mandar, impor ou determinar
o que eles devem fazer e também podem sentir-se abandonados
se não lhes damos atenção. Acredito que o complicado é medir essa ajuda.
Quando e como devemos vigiar suas medicações, suas idas ao médico.
Qual a hora de deixar de lado a zanga deles e realmente decidir e pronto ?
Sei, é delicado, mas com carinho e amor tudo fica mais fácil.

Não dá para esquecer que muitos relacionamentos foram complicados
na juventude e depois essas pessoas precisam umas das outras e superar
isso na crise é uma tarefa árdua.

Tenho experimentado lembrar que essa mãe de agora foi aquela
que me buscava no colégio, que costura roupinhas de boneca,
que fazia doces e bolos para me esperar. Que também me obrigava
a tomar vacina, remédio amargo, colocar o casaco mesmo quando
não parecia frio. Essa mãe é a mesma mãe da menina que já fui um dia.

Da minha sogra penso a mesma coisa, ela agora é a vó que já foi mãe
e já foi menina, já correu e brincou, obedeceu e teimou coisa que ela faz até hoje.

No círculo de parentescos executamos a arte da vida. Trocamos amor e construímos lembranças. Até que um dia, brincando de avós seremos novamente crianças.
COLUNISTA ANA MELLO
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