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| Chamada falsa |
| Ana Mello * |
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Adoro novidades, não consumo só pelo fato
de ser novidade,
mas gosto de olhar, saber que existe determinado produto,
descobrir o que o fabricante está apresentando.
Isso vale paras comidas,
gosto de cozinhar, de temperos, eletrodomésticos
modernos.
Também para produtos de limpeza e beleza, cremes,
filtros solares
e maquiagem. Para bijuterias - ando enfeitada ultimamente.
Para computadores e celulares, pois a coisa mais simples
que eles fazem é mesmo uma ligação.
Os celulares também são responsáveis
por incentivar a total falta
de educação, ou melhor, pessoas mal educadas
potencializam
com o uso do celular. Atendem em qualquer lugar, gritam,
como se todos devessem saber de suas coisas particulares.
As músicas escolhidas nem sempre são discretas
e assustam até o proprietário.
Estava pesquisando um novo modelo para pedir para o
marido Noel de Natal
e uma vendedora muito atenciosa me explicava tudo sobre
o aparelho
que eu gostei. Ela, bem simpática me disse que
o celular no qual
eu estava interessada tinha um diferencial, que muitos
outros não tinham.
A chamada falsa. Como assim, perguntei. É uma
tecla que você pode
apertar para que seu telefone toque dentro de alguns
segundos,
aparecendo no visor que é de um número
confidencial. Aí você finge
que atende e usa isso como desculpa para sair ou ainda
para cortar
uma ligação em andamento.
É a tecnologia ao lado dos mentirosos. Ora, a
ideia é facilitar a mentira.
Eu jamais faria isso, pediria licença e desligaria
ou sairia da sala.
Sei que muitas pessoas aplicam técnicas para
cortar uma conversa
e acho muito feio. Dizem eles em sua defesa que é
para não ser
mal educado que o sujeito usa estes métodos.
Digo que dali para frente não vou acreditar quando
desligarem
inesperadamente e eles respondem que comigo jamais fariam.
Lembro-me de uma antiga música cantada pelo Martinho
da Vila –
“se ela faz com ele vai fazer comigo e vai fazer
exatamente igual”.
Será que ética pode ser tão relativa?
Lembrei também do filme “Jogada de gênio”
que conta a briga de Robert Kearns,
inventor do limpador de para-brisa intermitente com
a poderosa Ford.
Doze anos para provar que tinha sido roubado. Não
podemos perder
de vista a verdade, mesmo nas coisas mais simples. |
| COLUNISTA
ANA MELLO |
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