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| Pessoas |
| Ana Mello * |
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O melhor de tudo são mesmo as pessoas. Conheci
muitas na Feira do Livro
este ano, alunos de oficinas, escritores que só
conhecia pela internet, jornalistas,
pessoas que andaram ao meu lado no ônibus ou pararam
em uma banca
para comprar um livro.
Pessoas são livros, todas tem algo importante
para contar. Algumas a gente
não gosta logo de cara, mas depois acaba descobrindo
alguma qualidade
interessante. Outras a gente já gosta pela capa
e pelo título.
Estava lá sentada na degustação
literária e uma moça sentou ao meu lado,
quem dava a receita era a Claudia Tajes. Ela pediu aos
escritores presentes
para fazerem perguntas para ajudá-la, pois ela
fala pouco, é tímida.
Fiz a pergunta e logo a moça ao lado falou comigo
dizendo que era bibliotecária
de uma escola, muito simpática. Falamos sobre
livros, oficinas literárias,
adolescentes. Outro dia estou em um bate-papo na casa
do pensamento
e quem está lá, minha nova amiga e toda
turma da cidade dela.
Tiramos fotos juntas, trocamos nossos endereços
de e-mail.
Lembrei agora que tenho uma amiga da fila do ônibus
da Feira do Livro
de quatro anos atrás. Seguimos trocando mensagens.
Na minha sessão
de autógrafos apareceu uma escritora recomendada
por ela.
Depois nos encontramos novamente na oficina de hipertexto.
Não digo que conheço alguém que
sorri para mim se não lembro, sou sincera,
peço desculpas e vou logo perguntando de onde
mesmo a gente se conhece
e qual seu nome. Isso de ficar enrolando não
é comigo e depois que assumi
essa postura ficou até mais fácil lembrar
se conheço ou não a tais pessoas,
pois não fico na pressão.
Todas essas pessoas vão tornando a minha vida
mais interessante,
isso sem contar os outros tantos que conheço
só pela internet
e mesmo assim compartilham suas emoções,
textos, fotografias.
Conheci também uma moça na fila do mesmo
ônibus da outra amiga
de anos atrás, ela estava atrasada e saiu da
fila para optar por outra linha,
mas o fiscal disse que ela deveria retornar, pois o
ônibus dela viria logo.
Começamos a conversar e descobri que o namorado
dela também é escritor,
palestrante, que eles editam uma revista de variedades,
que moram na praia.
Combinamos trocar ideias. Pensamos de maneira semelhante,
não existem
coincidências, a vida vai fazendo links entre
pessoas que devem se encontrar,
os acontecimentos são apenas um caminho, importantes
são as pessoas. |
| COLUNISTA
ANA MELLO |
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