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| Dá Licença |
| Ana Mello * |
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Vou seguido ao shopping, é perto de casa, tem
supermercado, livraria, banco,
de tudo um pouco. Em alguns dias tem muita gente. Porém,
mesmo quando
os corredores não estão lotados observo
as pessoas e seu comportamento.
Tem gente que não desvia um milímetro
para outra pessoa passar,
não divide espaço. Se estiver olhando
um produto em determinada prateleira ocupa
todo o corredor, azar de quem tiver que passar. A pessoa
para e pede – dá licença?
Recebe em troca um olhar mal humorado e um pequeno espaço
como se estivesse
atrapalhando o dono do mundo.
E não é só no shopping que isso
acontece, na feira é a mesma coisa.
Passam com os carrinhos nos pés uns dos outros,
tomam conta do balcão
e não estão nem ligando se é um
idoso ou uma pessoa com alguma dificuldade.
No ônibus tem as mochilas, muito práticas,
mas seria bom que saíssem das costas
nos corredores. E vão passando sem a menor cortesia,
apertando, amassando,
empurrando.
E nos dias de chuva? Não dá para usar
guarda-chuva no centro da cidade,
se ousar ele voltará furado para casa. Ainda
bem que não é um olho, isso é verdade.
Deveríamos ter um curso para carregá-los.
Ensinando a prestar atenção nos outros
transeuntes e a virar ou levantar alguns centímetros
o objeto que carregamos,
só para não machucar quem vem a nossa
direção. Ninguém quer ceder.
Meu pai costumava dizer para esses sujeitos que não
sabem pedir permissão,
que licença se pede com a boca. Quem fala pode
dizer também obrigado, de nada,
pois não, não tem de que. Palavras esquecidas.
Mas os olhares falam, com raiva.
Se você pisa no pé de alguém e vira
para pedir desculpas quase é fulminado.
Assim mesmo pede e o olhar passa para indignado, tudo
bem, mas que não se repita.
Pior que isso só o presidente do Sindicato das
Empresas de Ônibus do Rio de Janeiro
que mandou uma carta aos idosos, usuários do
transporte coletivo advertindo
para que não abusassem da gratuidade da passagem.
Que evitassem horários
de mais movimento.
Andar gratuitamente é um direito dos idosos e
todos devem ceder lugar
se os assentos preferenciais já estiverem ocupados.
Parar calmamente nas paradas
para que eles possam subir e acomodar-se é o
que os motoristas devem fazer.
O direito de ir e vir vale em qualquer horário,
os apressados que aprendam
a sair mais cedo e com um pouco mais de gentileza. A
lei dá o direito em qualquer
horário. Dá licença! |
| COLUNISTA
ANA MELLO |
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