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COLUNISTA ANA MELLO
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Ana Mello *  

Faz tempo, li sobre um pacto, um acordo velado entre jornalistas,
para não dar ênfase a casos de suicídio. Isso poderia incentivar outras pessoas.
Mostrar-lhes uma solução para seus problemas.

Infelizmente isso não acontece com outros casos, como esses de pais que matam
filhos ou vice-versa. E esses casos multiplicam-se. Como tem notícias ruins
nos jornais e na TV. Coisas boas não são valorizadas, é fato. Não chamam
a atenção dos leitores. Não é porque ser bom é normal. Simplesmente não provoca
emoção nas pessoas. Antes a ficção surpreendia a realidade, hoje é o contrário,
é difícil superar as pessoas na crueldade.

Gosto de ficção, e os melhores contos que leio não tem finais felizes.
Muitos terminam quase incompletos, deixando que o leitor tire suas próprias
conclusões. Dá até raiva, compro um livro e ainda tenho que inventar o final.
Resolver o caso. Contos modernos!

Com esses casos horríveis que acontecem de verdade, as soluções, a punição,
ou a justiça, demora tanto que a gente até esquece, vira mais um. E as pessoas
estão insuperáveis. Veja o caso da moça que matou o marido, a irmã e a sobrinha.
Como ela transformou-se em assassina? Estudamos juntas no ensino fundamental,
éramos amigas, freqüentávamos a casa uma da outra. Na minha visão de criança
ela era normal, a família era normal, igual a minha.

Sei, a vida vai transformando as pessoas. Porém, os casos de superação, de luta,
de valorização do bem, são mais raros, ou simplesmente não dão audiência.

Escrevo minicontos e sei que em poucas linhas o que dá mais impacto é mesmo
o crime, a traição e a violência. Minha amiga Angela Schnnor comentou minha
maldade nos minicontos publicados no meu blog. Tentei justificar, expliquei
que na ficção posso experimentar coisas que eu jamais faria na vida real.
No início eu tinha até medo de escrever na primeira pessoa, ainda tenho um pouco,
coisas muito horríveis só na terceira pessoa. Ela disse que é assim mesmo, fazer
de conta, ou melhor, simbolizar para não somatizar, como já dizia Jung e tantos
outros. Então acho que temos mesmo que incentivar a escrita, a imaginação
e a criatividade, no papel, ou no computador.

Ser escritor é muito melhor do que ser assassino e não dá cadeia, ainda.
COLUNISTA ANA MELLO
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