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| Procura-se |
| Ana Mello * |
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Acredito que nós, classe média privilegiada,
com dinheiro suficiente para pagar
um plano de saúde, deveríamos nos unir
e criar uma lista de bons profissionais.
Uma lista de médicos com boas referências,
a moda antiga, daqueles que falam
com o paciente, explicam, demonstram interesse. Aquele
médico “para chamar
de seu”. Isso porque está difícil
ser bem tratado pela classe médica ultimamente.
Primeiro porque é raro permanecer mais de dez
minutos conversando no primeiro
encontro. Na sala de espera sim, podemos aproveitar
a televisão, as revistas velhas,
o livro que veio na bolsa. Dá até para
saber da vida de todos os outros pacientes
que não param de falar ao celular. Hora marcada
é apenas uma previsão.
Dentro do consultório é rapidinho. A ficha
já foi preenchida pela secretária
e já contamos tudo ali, em pé, na frente
de todos sem a menor intimidade.
Dentro do consultório é bom sentar logo,
porque o doutor pergunta “o que o trouxe
aqui” e já vai tascando “x”
nas requisições de exames. Se você
não está com dor
não sai nem medicado, isso só quando trouxer
os exames, de preferência quinze
dias depois, para não ser considerada uma re-consulta.
Minha última experiência foi em um atendimento
de urgência. Fazia mais de dez
anos que não usava esse tipo de atendimento.
Devido a um inchaço na mão direita,
de causa desconhecida, procurei atendimento, pois não
sabia a que especialista
recorrer e precisava da minha mão funcionado.
No início foi uma maravilha, muito rápido,
cinco minutos no balcão e já entrei
para uma triagem que apontou um problema novo, eu estava
com pressão alta.
Depois falei com a médica que indicou exames
de sangue, urina e raios-X.
A médica perguntou se precisa algo para dor,
respondi que não, doía pouco
e o que eu desejava era saber o que era aquilo.
Depois do tempo necessário para os resultados,
umas três horas, fui chamada
pela médica que me atendeu em pé, com
a bolsa no ombro, já de saída.
Seus exames deram bem foi o que ela disse. E daí
perguntei, o que eu faço,
preciso escrever, trabalhar, e assim não está
bom. Ela me olhando. Procuro
um reumatologista, perguntei. Isso ela disse, procure
um reumatologista.
E a pressão alta, indaguei. Mas tu não
estás te sentido bem, ela falou. Eu disse sim,
estou como sempre, a não ser que minha pressão
tenha estado alta sempre.
Então ela concluiu, deve ser porque estás
em um hospital, virou as costas e saiu.
Antes disse para a atendente que eu devia ver um reumatologista.
Achei que era só atravessar uma porta e encontrá-lo.
Nada disso, consulta com reumatologista, no convênio,
só no mês seguinte.
Ou quem sabe seria caso para um ortopedista, ou dermatologista,
ou sei lá o que.
Acho que tenho que continuar procurando. Não
seria mais fácil recorrer ao Google.
Digito lá, mão direita inchada. E sigo
procurando. |
| COLUNISTA
ANA MELLO |
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