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COLUNISTA ANA MELLO
Pintora: Zina Aita (Semana da Arte Moderna) || Obra: Homens trabalhando (A sombra)
Homens trabalhando
Ana Mello
Maridos das mais variadas profissões aventuram-se em trabalhos domésticos.
Dentre eles posso citar, trocar uma simples lâmpada, até algo mais complicado
como construir uma prateleira. Esse personagem, no caso, meu marido.
Alguém que sabe tudo de informática, mas não é marceneiro. Eu queria comprar
dois armários, bem simples, daqueles que vendem no supermercado. Ele disse não.
Vou fazer um armário bom, forte, com muitas prateleiras, até o teto.

Eu vou fazer, é uma coisa que não existe no mundo dos maridos.
Eles sempre precisam de alguma ajuda. Para alcançar as ferramentas,
para segurar, dar apoio moral, limpar a sujeira no final.

Dar apoio moral significa ficar ali, olhando, elogiando, concordando,
pois aí de nós esposas questionar o projeto.
Fiz tudo isso direitinho. O armário era simples, três suportes em forma de escadas
onde as prateleiras se encaixavam dando sustentação ao todo.
Ficou bem, mas deu um trabalhão para manobrar as tábuas pelo apartamento.
Tábuas enormes, espaço pequeno. Foi como um quebra-cabeça, porém pesado.
Bem pesado. Depois de um tempo e algum suor, colocamos tudo no lugar.
E logo ocupei todas as prateleiras. Os poucos espaços que sobraram ocupei
com jornais, caixas vazias de papelão, sacolas bonitinhas. Como as mulheres
gostam de sacolas bonitinhas! E potes de plásticos então? Nós sempre podemos
precisar de mais alguns.

Em alguns dias notei que as pernas da tal prateleira começaram a envergar.
Lentamente. Primeiro fiquei quieta, só de pensar em tirar tudo do lugar e esvaziar
o espaço me dava arrepios. Tenho essa mania, detesto retroceder, refazer, voltar.
Ainda mais quando o resultado será o mesmo.

Quando as pernas da tal estante já pareciam vírgulas, falei. Tudo poderia desabar
de repente. Tive então que retirar tudo do lugar, desmontamos, levamos para a sala
de jantar, reforçamos os seis pés, diminuirmos a altura e recolocamos no lugar.
Organizei tudo, botei montes de coisas fora.
Trabalho finalizado, ele parou na porta da despensa e disse:
- Se não der certo o jeito é...
Há não! Sentenciei. Se der errado eu corto a machado e compro meus armários.
Ele disse o que todo homem diz:
- Se a gente não faz vocês reclamam, se a gente faz vocês reclamam também!
COLUNISTA ANA MELLO
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ANA MELLO
Escrevo porque tenho mais para dizer
do que consigo falar e olha que falo muito.
Pelos cotovelos, como diz minha mãe.
Estudei química e matemática e trabalho
na área técnica. Mas sempre fui poeta.
Escritora. Afinal escrevo sempre,
e tenho leitores. Dissolvo-me
em palavras pela rede e talvez um dia,
em papel, que será livro. Livro meu,
pois em antologias já estou espalhada
por aí. Nas janelas dos ônibus
e nos trens de Porto Alegre viajo
em forma de poesia. No mais,
busco a felicidade simples,
de viver apenas, fazer amigos
e aprender tudo o que puder.
Pois tenho certeza, nós não viemos
a este mundo a passeio.

Acesse o Blog : http://minicontosanamello.blogspot.com
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