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COLUNISTA ANA MELLO
Foto: Gatos, pintura de Aldemir Martins
Gatos
Ana Mello
Começo dizendo que eu gosto de gatos, sempre gostei.
Quando criança eu tive vários, quase todos pretos. Achava lindo aquele
pêlo lustroso e brilhante e o contraste dos olhos amarelos. Morava numa casa
com pátio. Depois de adulta, morando em apartamento e trabalhando o dia inteiro
fora de casa fiquei com pena de ter um gato e deixar sozinho.

De todos os gatos que tive posso dizer que eles tinham personalidades diferentes.
Alguns muito preguiçosos e outros ativos e brincalhões, uns ranzinhas,
e poucos zangados e agressivos. Nunca dei nenhum devido a suas características,
agüentei firme o mais difícil que adorava me arranhar. Esse eu não esqueço,
escondia-se embaixo da casa e corria atrás de mim, só para uma mordida
nos calcanhares. Nunca maltratei nenhum deles. Só se for considerar que colocar
algumas roupinhas das minhas bonecas era ruim. Eu considerava um privilégio
o simples fato delas emprestarem.

Essa semana, um amigo me contou uma história de gato. O gato que a mulher
dele comprou. Ele começou dizendo:
- Minha mulher comprou um gato.
Pelo tom de voz que usou isso parecia um problema. Perguntei:
- Não gostas de gatos?
Ele respondeu: - Daquele não.

Percebi que o caso era grave e tentei ajudar. Ele explicou que o gato o odeia
desde o primeiro dia. Depois de várias tentativas de aproximação,
de arranhões e mordidas, parece que eles desistiram de qualquer entendimento.
O gato está de sacanagem, até se jogou do quarto andar para fazê-lo colocar
rede em todas as janelas. Depois da rede colocada, o Leão, esse é o nome
do felino, para provocar começou a roer a rede. É só dar moleza, Leão ataca a rede.
E outras coisinhas mais.

Perguntei se ele conhecia um artefato que os gatos usam para afiar as unhas
e morder. Ele já comprou, mas o gato prefere os sofás ou os objetos
dele que encontra pela casa. Apliquei então aquela conversa de que o gato
sente-se dono da casa, pois esse amigo viaja muito. A esposa é a dona,
que alimenta, dá carinho. Ele, na cabecinha do Leão, é um invasor.
Nessa hora ele disse:
- Não fale isso para minha mulher, senão ela chama um psicólogo para o danado
e é capaz de me mandar fazer análise junto com ele.
COLUNISTA ANA MELLO
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ANA MELLO
Escrevo porque tenho mais para dizer
do que consigo falar e olha que falo muito.
Pelos cotovelos, como diz minha mãe.
Estudei química e matemática e trabalho
na área técnica. Mas sempre fui poeta.
Escritora. Afinal escrevo sempre,
e tenho leitores. Dissolvo-me
em palavras pela rede e talvez um dia,
em papel, que será livro. Livro meu,
pois em antologias já estou espalhada
por aí. Nas janelas dos ônibus
e nos trens de Porto Alegre viajo
em forma de poesia. No mais,
busco a felicidade simples,
de viver apenas, fazer amigos
e aprender tudo o que puder.
Pois tenho certeza, nós não viemos
a este mundo a passeio.

Acesse o Blog : http://minicontosanamello.blogspot.com
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