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COLUNISTA ANA MELLO
Coluna da Ana Mello no Sortimentos.com
Para sempre
Ana Mello
Com o passar do tempo a vida vai mostrando que para sempre é muito tempo.
Amar para sempre, amigos para sempre, voltarei sempre, viverei para sempre.
O quanto disso tudo será realmente eterno?

Que seja eterno enquanto dure. Como no soneto da fidelidade do Vinícius de Morais.
Seja intenso, seja verdadeiro enquanto durar. Não só o amor, mas a vida, a amizade,
e tudo mais de bom que nos couber.

Percebo que é cada vez mais difícil para as pessoas verem o fim das coisas.
Principalmente para os mais jovens. É quase impossível receber um não, um basta.

Como no caso do seqüestro de São Paulo. Um rapaz que não admite não ser mais
amado e chega ao ponto de matar por isso. Já aconteceu muitas vezes,
não é a primeira. Se não é minha, não será de mais ninguém. O amor ou a paixão
tenta justificar um crime. Um crime passional. Que é na verdade um crime cometido
por ódio.

Muitos crimes aconteceram pela “defesa da honra”, quando maridos traídos
matavam o amante e/ou a mulher. Entretanto o número de casos em que as vítimas
são as mulheres é infinitamente superior ao caso contrário.

Podemos ler sobre os casos mais famosos e tantos outros que foram notícias
de jornal, mas a pouca idade dos envolvidos no caso Lindemberg causa preocupação.
Jovens que podem namorar muito ainda, receber vários “foras”, e procurar seu
par perfeito com toda a liberdade, não estão preparados para um relacionamento
que chega ao fim. Sem generalizar é claro.

Por total falta de respeito à vida e aos direitos dos outros, ser rejeitado pode
significar uma ofensa que requer punição. Porém, não há o que justifique manter
alguém preso, atentar contra a vida dessa pessoa já é um crime, ainda mais matá-la.
É o fim.

Além de ser uma demonstração de que as pessoas são como objetos que alguns
podem usar como lhes convier. Mostra falta de esperança, de romantismo,
de acreditar que o “para sempre” poderia sim existir. Mesmo que em forma
de amizade.

Para sempre, depois de um crime, só mesmo o arrependimento e a solidão.
COLUNISTA ANA MELLO
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ANA MELLO
Escrevo porque tenho mais para dizer
do que consigo falar e olha que falo muito.
Pelos cotovelos, como diz minha mãe.
Estudei química e matemática e trabalho
na área técnica. Mas sempre fui poeta.
Escritora. Afinal escrevo sempre,
e tenho leitores. Dissolvo-me
em palavras pela rede e talvez um dia,
em papel, que será livro. Livro meu,
pois em antologias já estou espalhada
por aí. Nas janelas dos ônibus
e nos trens de Porto Alegre viajo
em forma de poesia. No mais,
busco a felicidade simples,
de viver apenas, fazer amigos
e aprender tudo o que puder.
Pois tenho certeza, nós não viemos
a este mundo a passeio.

Acesse o Blog : http://minicontosanamello.blogspot.com
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