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Vem de casa
Ana Mello
Educação vem de casa, cresci ouvindo
isso. Se bem que já vi muita gente
que esquece tudo quando está na rua e só
faz os pais passarem vergonha.
Mas nunca é tarde para aprender, observar e respeitar
os outros.
O que manda é o que vai ao coração,
a delicadeza, a cortesia.
Tenho observado as pessoas nos atos mais simples e ando
decepcionada.
Ao telefone é um pavor. Falam ao celular em qualquer
lugar, aos berros,
como se o telefone não fosse móvel e elas
não pudessem se afastar.
Contam segredos, atrapalham, incomodam. E quando ligam
para nossa casa
e perguntam: quem está falando? Já vou
dizendo - com quem o senhor ou a senhora
gostaria de falar? Eles ficam zangados. Acham uma ousadia.
Outros perguntam:
que número é aí? Ora, mas para
que número vossa delicadeza ligou?
No trabalho já atendi um sujeito que disse ter
falado com alguém por lá, outro dia,
mas não lembrava o nome e eu deveria falar o
nome das pessoas que trabalham
comigo. Vê se pode, só faltava pedir o
número do celular, RG e CPF.
Não dou informações particulares
ou referentes a outras pessoas sem a devida
autorização e acho uma falta de educação
fazer esses pedidos.
Meu cunhado é motoboy e costuma anotar os pedidos
rapidamente. Muitas vezes
anota o endereço, o que tem que fazer, e não
dá tempo de anotar o nome do sujeito,
ou ele acaba esquecendo porque tem muito trabalho e
tudo tem que ser rápido.
Quando chega ao local é barrado pelo porteiro,
que faz a segurança. Aí ele pede
que diga os nomes dos moradores ou trabalhadores, no
caso de empresa.
O prestativo diz tudo, facilita ele dá até
os horários e a rotina de todas as pessoas.
Coisas da pressa do mundo moderno, as pessoas acham
perda de tempo falar,
explicar, ouvir. Tenho notado que muitos perguntam coisas
e não ouvem
as respostas até o final. Quando julgam que já
o suficiente o que ouviram,
desligam-se do falante e prestam atenção
em outra coisa, sem a menor vergonha.
Fica o outro falando sozinho. E nem foi ele que pediu
para falar.
Isso acontece muito e em todos os lugares. O mau exemplo
pega e chega à família.
Tem até os que dormem enquanto a gente fala,
só perdôo quando tem mais
de oitenta anos e quando dormem até na novela
preferida.
Ainda bem que não dá parar dormir lendo
crônica na internet, senão você aí
amado
leitor poderia estar bocejando nesse momento. Não
faça isso. Seja educado. |
| COLUNISTA
ANA MELLO |
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ANA
MELLO
Escrevo porque tenho mais para dizer
do que consigo falar e olha que falo muito.
Pelos cotovelos, como diz minha mãe.
Estudei química e matemática e trabalho
na área técnica. Mas sempre fui poeta.
Escritora. Afinal escrevo sempre,
e tenho leitores. Dissolvo-me
em palavras pela rede e talvez um dia,
em papel, que será livro. Livro meu,
pois em antologias já estou espalhada
por aí. Nas janelas dos ônibus
e nos trens de Porto Alegre viajo
em forma de poesia. No mais,
busco a felicidade simples,
de viver apenas, fazer amigos
e aprender tudo o que puder.
Pois tenho certeza, nós não viemos
a este mundo a passeio.
Acesse o Blog : http://minicontosanamello.blogspot.com |
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