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Homens complicados
Ana Mello
Nunca me peça para não contar uma
boa história, eu não resisto, e pior,
conto
por escrito. Não fale baixo ao meu lado, desperta
minha curiosidade. Nem conte
algo que aconteceu com um amigo de um amigo seu, fica
mais fácil ainda fazer
disso uma boa crônica.
Depois de todos avisados, tenho a dizer que dei boas
risadas essa semana,
comentando sobre um grupo de amigos homens, que se reúne
para jantar e sair
de vez em quando. Sem as mulheres, é claro.
Pelo que é sabido eles não aprontam, com
outras mulheres, não posso provar,
é claro. Mas também não sei o que
as mulheres deles fazem quando estão sozinhas.
Quando deixam que eles saiam assim, livres e soltos.
O engraçado é que alguns precisam de permissão
para sair em determinados dias.
E o pior, contam isso para todo mundo. São assumidos,
só saem quando elas deixam.
Porém, algumas vezes, as liberações
das mulheres não coincidem e o grupo fica
desfalcado.
Também acontece de o passeio ser desmarcado,
justamente no dia que a esposa
que menos libera ter liberado, o tal marido fica arrasado,
sabe Deus quando terá
permissão novamente. É uma tristeza.
O que faz os casais agirem dessa maneira eu ainda não
entendi. Por que as pessoas
não conversam abertamente e não dão
liberdade para o seu parceiro, também
não sei. Não aquela liberdade de casamento
aberto, que eu acho que também
não dá certo, mas a autonomia para tomar
decisões que respeitem a relação.
Alguém me disse um dia que o valor de ter alguém
perto é saber que a porta está
sempre aberta e não trancada a sete chaves. Concordo.
Se for necessário vigiar
vinte e quatro horas por dia para ter fidelidade, significa
que a pessoa não merece
confiança.
Brincadeiras a parte, eu até entendo que alguns
homens são mandados pela parceira,
o que não entendo é como eles contam isso
sem a menor vergonha.
Pode até parecer que é mais simples ser
sincero e não esconder nada porque um dia
isso vem à tona mesmo. A mulher acaba dando uma
bronca nele na frente dos outros
e colocando tudo a perder. Só que isso dá
um estresse louco. O sujeito tem que ficar
entre o prazer momentâneo de sair livre e a licença
provável da companheira
o tempo todo. E eles gostam! São realmente muito
complicados. |
| COLUNISTA
ANA MELLO |
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ANA
MELLO
Escrevo porque tenho mais para dizer
do que consigo falar e olha que falo muito.
Pelos cotovelos, como diz minha mãe.
Estudei química e matemática e trabalho
na área técnica. Mas sempre fui poeta.
Escritora. Afinal escrevo sempre,
e tenho leitores. Dissolvo-me
em palavras pela rede e talvez um dia,
em papel, que será livro. Livro meu,
pois em antologias já estou espalhada
por aí. Nas janelas dos ônibus
e nos trens de Porto Alegre viajo
em forma de poesia. No mais,
busco a felicidade simples,
de viver apenas, fazer amigos
e aprender tudo o que puder.
Pois tenho certeza, nós não viemos
a este mundo a passeio.
Acesse o Blog : http://minicontosanamello.blogspot.com |
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