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Bom-dia
Ana Mello*
Aos nove anos fui matriculada na catequese para
fazer a primeira comunhão.
E a única lembrança boa dessa fase foi
uma canção que aprendi, bom-dia era o
título.
Falava desse cumprimento matinal que poderia fazer a
diferença no dia de quem
diz e de quem recebe. Sei a letra até hoje.
As outras coisas da catequese foram completamente negativas.
Antes, ir à missa
de domingo era uma alegria, pois gostava das canções,
de brincar com as outras
crianças no pátio da igreja. Depois tinha
que ir para a igreja em jejum para
comungar, ficava com fome e de mau humor. Descobri que
existia o tal do pecado
e que todos eram pecadores. Todo domingo eu inventava
alguns para contentar
o vigário que me dava penitências muito
chatas, rezar e rezar orações decoradas.
Isso também não foi legal, decorar orações.
Mas já cresci, e sei que posso fazer tudo do
meu jeito.
O bom-dia, no entanto, marcou minha vida e gosto muito
de usá-lo. Percebo
que as pessoas ficam surpresas ao recebê-lo, principalmente
se não me conhecem.
Depois acabam gostando e tomam a iniciativa.
Claro que tem muitas outras pessoas que não gostam
de conversar logo cedo
e evitam até de cruzar o olhar com algum colega
ou amigo. Já tive uma amiga
assim. Só lá pelas dez da manhã,
no segundo período de aula que ela falava comigo.
Nem levanta os olhos do caderno, acho que os ouvidos
ouviam, mas a boca não
funcionava para responder. Depois ia ficando bem como
se nada tivesse acontecido.
Nós éramos adolescentes nesta época
e acho até compreensível mudança
de humor
nessa idade. Só que a gente vai crescendo, amadurecendo,
e fica muito feio ser
emburrado.
Alguns são tímidos, isso é verdade,
e dependendo do cargo que ocupam ou a tarefa
que desempenham, sentem-se constrangidos em sair cumprimentando
a todos.
Porém, independente de tudo isso, receber um
sorriso, um aceno ou um “bom-dia”
logo de manhã sensibiliza qualquer pessoa. Acho
até que essa pessoa vai dar uma
olhada no sujeito e pensar o que o faz tão feliz.
Acho que a felicidade de alguém tão disposto
está nele e não na expectativa
que os outros o façam feliz. Bom-dia! |
| COLUNISTA
ANA MELLO |
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ANA
MELLO
Escrevo porque tenho mais para dizer
do que consigo falar e olha que falo muito.
Pelos cotovelos, como diz minha mãe.
Estudei química e matemática e trabalho
na área técnica. Mas sempre fui poeta.
Escritora. Afinal escrevo sempre,
e tenho leitores. Dissolvo-me
em palavras pela rede e talvez um dia,
em papel, que será livro. Livro meu,
pois em antologias já estou espalhada
por aí. Nas janelas dos ônibus
e nos trens de Porto Alegre viajo
em forma de poesia. No mais,
busco a felicidade simples,
de viver apenas, fazer amigos
e aprender tudo o que puder.
Pois tenho certeza, nós não viemos
a este mundo a passeio.
Acesse o Blog : http://minicontosanamello.blogspot.com |
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