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No sítio
Ana Mello
Sábado foi dia de curtir a vida um pouco longe
da cidade, apenas trinta e cinco
quilômetros. Mas com uma boa mudança na
paisagem.
Eu teria dificuldade em morar longe da cidade e do conforto
que isso proporciona,
se bem que tem uma lista de perigos e problemas que
vêm juntos. Acho que mesmo
assim seria difícil.
Nossos amigos adoram o sítio e se refugiam por
lá nos fins de semana, feriados
e férias. Para ter um sítio é preciso
certo perfil. Paciência, gosto pela natureza,
plantar, cultivar. Gostar dos bichos e do silêncio.
Apreciar visitas, que são muito agradáveis,
mas dão trabalho. O Pedro e a Adriana
são perfeitos anfitriões. Logo na chegada
já vêm mostrando a casa, oferecendo
chimarrão e bergamotas do pomar.
No almoço aquele churrasco, com aipim cozido,
arroz, feijão, saladas.
Tudo preparado com o maior carinho. Antes, caminhamos
até o açude,
acompanhados pelos cachorros. O Titã é
um cachorro incrível, come abacate
o dia inteiro, é só ouvir o barulho da
fruta caindo no telhado e já corre para pegar.
Tudo no sítio é organizado e parece que
não dá trabalho nenhum cuidar
do galinheiro, da horta, da égua Mariana.
Os pais do Pedro moram no sítio. E observando
a dedicação com que o pai dele
cuida da mãe que tem necessidades especiais,
percebi logo que o tempero de tudo é a amizade,
o carinho, a cortesia.
As coisas vão passando assim de pai para filho.
A habilidade na cozinha e o prazer
em receber os amigos. Parece mesmo que lá o tempo
anda mais devagar e não é preciso
marcar hora para voltar.
A qualquer momento alguma nova receita pode ser testada,
afinal a água já
está aquecida no fogão a lenha. E para
conversar sempre há assunto e disposição.
A diferença da cidade e do sítio não
está só na proximidade com a natureza,
mas na parceria e solidariedade. |
| COLUNISTA
ANA MELLO |
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ANA
MELLO
Escrevo porque tenho mais para dizer
do que consigo falar e olha que falo muito.
Pelos cotovelos, como diz minha mãe.
Estudei química e matemática e trabalho
na área técnica. Mas sempre fui poeta.
Escritora. Afinal escrevo sempre,
e tenho leitores. Dissolvo-me
em palavras pela rede e talvez um dia,
em papel, que será livro. Livro meu,
pois em antologias já estou espalhada
por aí. Nas janelas dos ônibus
e nos trens de Porto Alegre viajo
em forma de poesia. No mais,
busco a felicidade simples,
de viver apenas, fazer amigos
e aprender tudo o que puder.
Pois tenho certeza, nós não viemos
a este mundo a passeio.
Acesse o Blog : http://minicontosanamello.blogspot.com |
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