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COLUNISTA ANA MELLO

Coisas perigosas

Ana Mello

Quase todo mundo já sabe, quem não sabe fica sabendo agora, eu sou medrosa.
E não gosto de coisas perigosas, principalmente em viagens. Por exemplo, passeio
de helicóptero nas Cataratas do Iguaçu. Viagem num barquinho de pescadores
para ver uma ilha distante em Santa Catarina. Teleférico, bondinho e assemelhados
quando atravessam mar, ficam de frente para penhascos e assemelhados.
Resumindo, quando estou viajando acho pior arriscar, morrer em férias deve ser
muito chato.

Comidas estranhas também aprecio com cuidado. Coisas muito diferentes
em restaurantes muito simples, apenas com a tradição para garantir, não é comigo.
Muita gente boa já teve um troço por comer um inocente camarãozinho.
Sei mais de mil exemplos para ilustrar, mas hoje vou contar apenas um,
de um amigo meu que saiu com a esposa para uma inocente viagem para o Nordeste.
Dia de praia, sem nada para fazer, resolveram dar um passeio de jangada.
O mar não estava muito calmo e eles consultaram a voz da experiência,
o jangadeiro, eue disse que o mar estava maneiro.

Na jangada, meu amigo, a esposa, outro turista entediado e mais dois jangadeiros.
Nem é preciso dizer que as ondas cresceram assustadoramente e a jangada virou.
Logo um dos jangadeiros pulou na água, soltou a vela e pediu ajuda para desvirar
o barco.

Impossível! As tentativas só serviram para pintar a barriga do meu amigo com a tinta
laranja do fundo da embarcação. Ele já apavorado, olhou em direção a praia e viu
várias jangadas vindo para socorrê-los. Tudo certo.

Perguntei se ele, ao chegar à praia tinha tirado satisfações do jangadeiro. Ele disse
que só consegui chegar até o quiosque, pedir duas doses de uma bebida forte e jurar
nunca mais fazer coisas perigosas. Amém!
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