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| COLUNISTA
ANA MELLO |
Céu e
inferno Ana Mello
Um amigo de um amigo meu contou que desde pequeno ele
foi doutrinado
a fazer o bem e seguir sem pecado. Isso influenciou sua
vida até a maturidade.
Queimar no fogo do inferno lhe causava arrepios. Diabo
era uma palavra proibida.
Nem de brincadeira ele falava no capeta e chegou a romper
com uma namorada,
na adolescência, só porque ela fantasiou-se
de diabinha no carnaval.
Os amigos argumentavam que ele não poderia acreditar
no inferno - um cara
esclarecido. Que o bem e o mal estavam em todas as coisas
e ninguém era
inteiramente bom ou mau. Ele contra argumentava dizendo
que este assunto
trazia má sorte.
Até que um dia ele chegou diferente no trabalho,
triste. Estava com uma doença
grave. Foram meses de tratamento, hospitalizações.
E ele venceu, ficou totalmente
curado.
Já faz algum tempo e ele está curado mesmo.
Mas só agora contou que antes
de saber dos resultados finais dos exames que mostraram
sua cura, ele teve
um sonho incrível.
Sonhou que estava andando pela rua de noite e de repente
deparou-se
com o diabo em pessoa, com chifres, cauda, patas e cheiro
de enxofre.
Discutiram e gritaram. Lutaram. E embora o diabo fosse
maior e mais forte,
ele venceu o capeta.
Acordou suado, com o coração aos pulos,
mas seguro e determinado,
pronto para enfrentar qualquer coisa.
Interpretações a parte, ele venceu mesmo.
E hoje adora falar sobre o céu
e o inferno, sem o menor problema. |
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