| CARNAVAL
CUIDADOS COM A SAÚDE |
| 16.02.09 :: Guilherme Diniz |
Quando o carnaval chega,
é aquela alegria: ruas lotadas, sambódromos
repletos,
trios elétricos que embalam milhares de pessoas
por horas (ou até dias)
e músicas ensurdecedoras. Porém, o ritmo
do samba e toda essa animação
esconde o aumento no número de casos de pessoas
que apresentam problemas
nos ouvidos, causados, principalmente, por ruídos
de caixas de som superpotentes
de clubes e trios elétricos e o grande tempo
permanecido em ensaios de escolas
de samba.
A aparelhagem utilizada atualmente, cada vez mais
moderna e com várias opções
de potências, atinge intensidades sonoras de
até 120 decibéis. Mas essa modernidade
que faz a alegria de muitos foliões que não
ligam para o barulho pode trazer
problemas à saúde auditiva. Segundo
dados da Associação Brasileira
de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial
(ABORL-CCF), o ouvido humano
suporta até 85 decibéis. Exposições
acima deste índice já podem acarretar
em lesões
ao ouvido muitas vezes irreversíveis, levando
à perda auditiva. A Organização
Mundial da Saúde (OMS) considera a poluição
sonora a terceira maior do meio
ambiente, perdendo apenas para a poluição
da água e do ar.
Sabendo disso, a Sociedade Brasileira de Otologia
(SBO) lança este ano a 5ª edição
da Campanha Nacional da Saúde Auditiva, que
tem o objetivo de educar e mostrar
às pessoas como cuidar bem da audição
e os cuidados necessários no dia-a-dia
para preservar a saúde auditiva. Ano passado,
a Campanha obteve uma grande
repercussão por todo país com o tema
"Abaixe o volume ou diminua a sua audição",
no qual os médicos alertaram a população
sobre os riscos do som alto dos mp3
players.
O Dr. Ektor Onishi, otorrinolaringologista e Coordenador
Nacional da Campanha,
adverte. "Sabemos que sons acima de 85 decibéis
trazem prejuízo à audição.
No carnaval baiano, medições realizadas
chegam a apontar impressionantes
110 decibéis, intensidade próxima a
de uma turbina de avião", diz Onishi
quanto à intensidade sonora do carnaval da
Bahia.
Os sintomas de problemas de audição
são diversos, como explica o Coordenador.
"Sensação de pressão nos
ouvidos, zumbido e dificuldade para ouvir
podem sugerir abuso do folião. O tempo de exposição
ao som e a sensibilidade
individual são fatores que influenciam diretamente
neste resultado", diz.
Não é só no carnaval que o excesso
de som é visto. As repercussões do tema
são de ordem individual e coletiva. No Rio
de Janeiro, 60% das reclamações recebidas
pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente são
relacionadas às agressões sonoras.
Algumas pesquisas mostram que o ruído fora
de controle constitui um dos agentes
mais nocivos à saúde humana, causando
perda da audição, zumbidos, distúrbios
do labirinto, ansiedade, nervosismo, hipertensão
arterial, gastrites, úlceras e
impotência sexual.
Em São Paulo, a Infraero divulgou um relatório
de impacto ambiental (Rima)
em janeiro no qual consta que as operações
do Aeroporto de Congonhas emitem
ruídos acima do permitido por lei. O barulho
atinge casas, escolas e até hospitais,
incomodam e prejudicam a saúde auditiva de
pessoas que permanecem na área
de embarque e no espaço das autoridades.
Por tudo isso, Onishi finaliza. "A audição
é um dos sentidos que proporciona
a interação do indivíduo com
o meio ambiente e com seus semelhantes.
Saber da sua importância e como cuidar da audição
nessa época do ano se
torna ainda mais necessário", completa
Onishi. Para um carnaval sem preocupações
e em sintonia com o bem estar, proteja seu ouvido
contra a poluição sonora,
não fique próximo de trios elétricos
e grandes concentrações de som e boa
diversão!
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