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Entidades lamentam que única alternativa do governo para combater
inflação seja aumentar juros
D2 Comunicação + Imprensa CNI
 
O presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado
de São Paulo), João Claudio Robusti, condenou a decisão do Copom de elevar
em 0,75 ponto percentual a taxa básica de juros. “Desta vez foi um exagero.
Só vai retardar o crescimento econômico e desestimular a produção. A nova
elevação da taxa básica é extremamente negativa porque ela só olha a inflação
do passado e vai afetar o desempenho do PIB (Produto Interno Bruto)”, diz.

Robusti afirma que o exagero é ainda mais flagrante quando se observa
que os últimos indicadores de inflação registram quedas. “Cerca de 85%
dos componentes do IGP-10 mostram desaceleração nos seus preços.
No caso do setor da construção, o INCC também caiu. Não se prevê a repetição
dos reajustes salariais que impactaram os custos da construção em maio e junho.
E os preços dos materiais de construção, também ascendentes, devem arrefecer,
uma vez que a oferta tende a se ajustar ao crescimento da demanda".

Para o presidente do SindusCon-SP, “o governo poderia ter mantido a taxa básica,
que já está elevada em 12,25%, e intensificar o esforço de cortar despesas correntes
para investir no aumento da produção. Com isso, ele criaria mais rapidamente
as condições para baixar a taxa de juros no futuro próximo".

“No caso da construção civil, o novo aumento da taxa de juros poderá afetar
um pouco o desempenho deste ano, mesmo que o setor já esteja com suas obras
contratadas. Mas compromete nossas projeções de crescimento para 2009.
Daqui para diante, o governo deveria interromper de vez a trajetória ascendente
dos juros, estimular a produção, elevar a oferta e baixar alíquotas de importação,
quando for o caso".


O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro Neto,
disse desaprovar a elevação de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros,
para 13% ao ano, promovida hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
“Em um ambiente de incerteza inflacionária, a política monetária gradual é mais
eficaz para coordenar as expectativas de elevação dos preços. A alteração dessa
postura, com a intensificação do aperto monetário, resultará em maiores danos
ao próprio processo de crescimento econômico”, afirmou.

O Banco Central deveria manter o ritmo e esperar pelas naturais defasagens
dos impactos da política monetária restritiva, destacou Monteiro Neto. Para ele,
a postura de cautela é mais defensável uma vez que a política fiscal se mostra
em maior sintonia com as necessidades de combate à inflação via redução
das despesas do governo. “A idéia de acelerar o movimento de redução do consumo
das famílias, via aumento mais intenso dos juros, não irá gerar os benefícios
desejados, uma vez que muito da inflação é originada globalmente, dado o aumento
dos preços internacionais dos alimentos”, avaliou.

De acordo com ele, a CNI entende que a redução dos gastos governamentais é uma
ação crucial para fazer com que as expectativas convirjam para a meta de inflação.
A maior consonância entre as políticas fiscal e monetária – com a elevação da meta
do superávit primário – enseja a perspectiva de um ciclo monetário menos duradouro.

“A maior sintonia dessas políticas será fundamental para a redução da demanda
interna, via redução das despesas do governo, uma vez que o consumo das famílias
perderá intensidade naturalmente, devido ao encarecimento do crédito e aos menores
ganhos na renda do trabalhador com a própria alta da inflação”, finalizou.
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