| 20.05.09 :: Giuliano
Mendes | Sortimentos.com |
Se houve um setor da economia brasileira que não
foi afetado pela crise,
que teve início em setembro do ano passado,
foi o de franquia.
Em 2008, o setor faturou R$ 55 bilhões, 19,5%
a mais do que em 2007.
E neste ano o crescimento continua. Segundo a Associação
Brasileira
de Franchising (ABF), desde dezembro de 2008 houve
um aumento
de 25% no número geral de interessados em abrir
um negócio nos moldes
de franquia. Os dados foram apresentados na terça-feira
(19-05)
durante reunião-almoço no hotel Plaza
São Rafael, em Porto Alegre.
Para Adir Ribeiro, integrante do Grupo Cherto, que
realiza consultoria na área
de franchising, a estimativa para este ano é
crescer de 10% a 12% no volume
de franqueados. A explicação para esta
alta é retratada pelo diretor executivo
da Associação Brasileira de Franchising
(ABF), Ricardo Camargo. “No Brasil,
os setores afetados pela crise são o automobilístico,
financeiro e de construção civil,
que não têm uma representatividade no
mercado de franquias. Além disso,
três fatores contribuíram muito para
os números do ano passado: aumento real
do salário e da taxa de emprego e um novo público
consumidor,
que são as classes C e D”, justifica
Camargo.
Em 2009 a ABF estima um crescimento de 13%, já
considerando o fator crise.
O executivo acrescenta ainda que, historicamente,
quando o mercado sofre
com demissões, o setor de franquias acaba recebendo
muitos novos interessados.
“Ao perder o emprego, muitos profissionais optam
pelo negócio próprio e,
neste momento, o modelo de franquia leva muitas vantagens.
Outro fator favorável para a expansão
das redes é que os pontos comerciais
tiveram queda de preço. Para quem deseja iniciar
no mercado de franquias,
o ponto comercial, na maioria das vezes, é
o investimento mais significativo.
Com a crise, o preço desses ativos caiu no
Brasil e no mundo”, explica Camargo.
No Rio Grande do Sul os números ainda são
tímidos. Apenas 5% das marcas
existentes no varejo são franqueadas, enquanto
em São Paulo chega a 39%,
Rio de Janeiro 12% e Minas Gerais 7%. Para tentar
elevar este número,
a CDL Porto Alegre pretende ser o “braço
direito” da ABF.
“O negócio de franchising é o
mais difícil do mundo, por isso é preciso
analisar
muito antes de investir”, alerta o vice-presidente
da CDL, Gustavo Schifino.
Em Porto Alegre, por exemplo, as empresas franqueadas
nos shopping centers
chegam a 25%, enquanto a média no Brasil é
de 50%. “Temos muito
ainda para crescer e estamos apostando neste mercado”,
salienta Schifino.
Atualmente, operam no Brasil 1379 redes de franquia
responsáveis
por aproximadamente 648 mil postos de trabalho diretos
e 2.592.000 indiretos. |