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A maioria das pessoas pensa que seu maior erro alimentar
é o consumo do pão.
Associam a ele seu ganho de peso e sua dificuldade
em emagrecer. Essa crença
se originou na década de 70, com a mais famosa
das dietas de moda, a Dieta
do Dr Atkins. De acordo com ela, os carboidratos são
os principais responsáveis
pelas cifras alarmantes de obesidade no mundo. “Atualmente,
os carboidratos
continuam sendo erroneamente classificados como os
responsáveis pelo ganho
de peso e substituídos por gorduras nos alimentos
industrializados, contribuindo
para que as dietas sejam ainda mais calóricas,
mesmo sem a presença deles”,
afirma a endocrinologista Ellen Simone Paiva do Citen,
Centro Integrado de Terapia
Nutricional, localizado na Rua Vergueiro, 2564 - Vila
Mariana - São Paulo - SP.
“Para aliviar a consciência dessas pessoas,
é bom saber que os carboidratos, após
numerosos estudos científicos, ainda são
recomendados por todas as associações
internacionais de Nutrição e Saúde,
devendo compor em torno de 50% das calorias
ingeridas diariamente em dietas balanceadas”,
esclarece a médica. São importantes
fontes de energia, principalmente para o cérebro,
e garantem que o corpo poupe
suas preciosas proteínas musculares da queima
metabólica.
A preferência popular e o incremento na fabricação
dos pães integrais atualmente
vêm superlotando as prateleiras dos supermercados
e isso tem a ver com
as reiteradas recomendações do consumo
de fibras, dando a elas o status
de alimento funcional. “O consumo de fibras
proporciona melhora no trânsito
intestinal, diminuição do esvaziamento
gástrico com prolongamento da saciedade;
redução da absorção do
colesterol e da glicose, com efeitos metabólicos
claramente
benéficos. Para isso, recomenda-se a ingestão
de no mínimo 25 gramas de fibras
diariamente”, afirma Amanda Epifânio.
Ao analisarmos os pães integrais com maior
teor de fibras comercialmente disponíveis (2,5g/fatia),
seriam necessárias 12 fatias
diárias para alcançarmos as recomendações
ideais. “Por isso, a idéia é a
de que
nossa dieta precisa contar com uma grande variedade
de alimentos também ricos
em fibras, para que não se torne monótona
e muito calórica”, diz a nutricionista.
Como escolher o pão? Lendo o rótulo...
A tarefa de escolher nosso pão matinal
não é fácil. Encontramos mais
de 130 tipos
de pães nas gôndolas dos supermercados.
Pão integral, 100% integral, sete grãos,
nove grãos, doze grãos, light, diet,
cenoura, quinua, iogurte, nozes, soja, sírio
integral, francês integral e até italiano
integral. São muitas as variações.
Tantas
opções causam mais confusão do
que ajudam o consumidor. “O jeito é ler
os rótulos
e se informar para não cair em algumas armadilhas.
Por exemplo, o fato de ter
vários grãos não significa que
o pão apresente um número maior de fibras
- o pão doze grãos e nove grão
têm menos fibras que o sete grãos. A
inscrição
de zero gordura trans também não deve
ser levada ao pé da letra, pois obedecendo
às normas da Anvisa, um alimento pode conter
pequenas quantidades de gordura
hidrogenada por unidade, sem a obrigatoriedade de
informar no rótulo tal valor.
Contudo, esse valor não declarado pode se tornar
significativo, quando o consumo
alcança maiores porções desse
alimento”, alerta a nutricionista Amanda Epifânio.
O avanço da engenharia dos alimentos tem permitido
a fortificação dos pães
com inúmeros nutrientes como vitaminas, ômega
3 e ômega 6, que, pelas pequenas
quantidades, poucos benefícios trazem para
a saúde, não justificando a opção
por esses alimentos suplementados. “As informações
dos rótulos, muitas vezes,
não apresentam significância real, constituindo-se
apenas numa estratégia
para atrair o consumidor e buscar um diferencial num
mercado tão competitivo”,
observa a nutricionista. “Já o teor em
sódio, em média 125mg por fatia de pão,
causa preocupação, pois assim como a
maioria dos alimentos industrializados,
integrais ou não, o pão contém
excesso de sódio, o que dificulta a adequação
do consumo recomendado, sem ultrapassar a recomendação
máxima de 12 gramas
de sal/dia (5 gramas de sódio)”, observa
a endocrinologista Ellen Simone Paiva.
Que pãozinho levar para casa?
Os pães são fontes práticas,
baratas e saudáveis de carboidratos para as
nossas
refeições, principalmente para o café
da manhã. Como todo alimento, o pão
pode
se tornar deletério quando consumido de maneira
abusiva, pois tem considerável
valor calórico, seja ele integral ou de farinha
branca. “Se observarmos seu valor
calórico, o pão francês (50g)
com suas 150 calorias, não apresenta muita
diferença
em relação ao seu equivalente integral,
com suas 140 calorias em duas fatias (50g).
A vantagem entre os dois são a inclusão
das fibras, favorecendo os pães integrais”,
informa Amanda Epifânio.
As versões lights dos pães integrais
foram questionadas em pesquisa recente
realizada pelo Imetro e veiculada pela mídia
televisiva. “O órgão fiscalizador
constatou que as versões lights possuem fatias
menores e com menor teor
de carboidrato, o que pode não garantir a saciedade
conferida pelas versões
integrais normais, favorecendo o consumo de porções
maiores. Assim, estes pães
não cumprem sua função de alimento
light, são mais caros e não apresentam
vantagens em relação às versões
integrais normais”, observa a nutricionista.
“Diante das informações disponíveis,
não há fundamento para abolir o consumo
dos carboidratos e muito menos dos pães. Quando
abolimos esse nutriente,
seguimos uma dieta desequilibrada, pois abolindo os
carboidratos, definitivamente
excedemos no consumo de gorduras e proteínas.
Com isso, além de comprometer
a normalidade do metabolismo do nosso organismo, não
garantimos a perda
de peso”, adverte a endocrinologista Ellen Simone
Paiva.
Mais informações :
faleconosco@citen.com.br |