Cólica menstrual
muito forte não é normal
por ImagePress
Considerada pelos médicos como uma das doenças
ginecológicas benignas
mais freqüentes entre as mulheres jovens, a endometriose
é caracterizada
pela presença de células do endométrio
– tecido que cobre a camada interna
do útero - fora da cavidade uterina e acomete
cerca de 10% a 15% das mulheres
no menacme (período reprodutivo).
A endometriose foi relatada pela primeira vez no início
do século passado (1917),
no entanto, sua importância e o diagnóstico
correto vêm crescendo nos últimos
15 anos. O diagnóstico é feito através
do quadro clínico (sintomas específicos),
de exame físico ginecológico adequado
(toque vaginal), exames de imagem (como ultra-som trans-vaginal
e ressonância nuclear magnética da pelve)
e, finalmente, confirmado pela cirurgia laparoscópica,
realizada por meio de pequenas incisões.
Sintomas
Entre os sintomas mais importantes, destacam-se as fortes
cólicas menstruais,
dores nas relações sexuais, dor pélvica
crônica e infertilidade. O ginecologista
do Hospital San Paolo, Dr. Giuliano Borrelli, alerta
que dores na região pélvica
e cólica menstrual freqüente são,
muitas vezes, os primeiros sintomas
da endometriose. “Mas também dores para
evacuar e sangramento nas fezes
que aparecem ou pioram no período menstrual podem
sinalizar o acometimento
intestinal da doença, forma mais severa e de
difícil tratamento”, afirma o doutor.
Da mesma forma que agride o intestino, pode também
atingir outros órgãos
como bexiga, vagina, colo do útero e ligamentos
uterinos.
São conhecidas três formas diferentes de
apresentação dessa doença: a primeira
delas é a endometriose ovariana, que se caracteriza
pela formação de cistos
nos ovários (endometriomas). Essa variedade pode
estar associada à infertilidade,
porém, raramente é causa de dor importante.
É considerada pelos médicos
como a forma mais comum e que, na maioria das vezes,
dependendo do tamanho,
deve ser tratada cirurgicamente por meio da remoção
dos cistos.
As outras formas de apresentação são
a endometriose superficial, em que ocorre
uma invasão de até 0,5cm de profundidade
no peritônio de órgãos como bexiga,
intestino, colo uterino; e a profunda, que infiltra
0,5cm ou mais o peritônio desses
órgãos. Nesse último estágio
os sintomas são mais exuberantes e os tratamentos
cirúrgicos mais complexos. No caso do acometimento
profundo do intestino,
por exemplo, pode ser necessária a remoção
de um segmento intestinal
para o tratamento adequado.
Nenhum tratamento pode curar definitivamente a endometriose,
a não ser a retirada
de ambos os ovários, o que teoricamente acabaria
com a fonte hormonal
que mantém a doença ativa e faz proliferar
os focos de endometriose. No entanto,
este procedimento não é muito adequado
para a grande maioria das portadoras
da doença, que são jovens e sofreriam
conseqüências danosas com a falta
de estrogênio causada pela ausência dos
ovários.
“Não existe cura para endometriose, é
importante que as pacientes portadoras
sejam diagnosticadas e tratadas precocemente antes que
a doença atinja suas
formas mais agressivas”, afirma Borrelli. “É
possível controlar os sintomas através
de tratamentos clínicos e cirúrgicos,
melhorando muito a qualidade de vida dessas
jovens mulheres, mas, para isso, as pacientes devem
ser acompanhadas
por profissionais capacitados e treinados”, completa
o especialista.
Ao perceber qualquer um dos sintomas descritos acima,
a mulher deve procurar
um ginecologista especialista, com a finalidade de fazer
investigação adequada e,
principalmente, o diagnóstico precoce, para que
possa ser corretamente orientada
e tratada. |