| Por Dr.
Wagner Montenegro |
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A cirurgia plástica alcançou
um papel importante nestes tempos modernos,
em que beleza é confundida com perfeição
e a imagem correta promove
não apenas o aumento da auto-estima, mas a
inserção do indivíduo na sociedade.
A popularização desses procedimentos
cirúrgicos atraiu um novo público.
Uma parcela da população com amplo acesso
à informação, grande poder de
consumo
e capacidade de decisão: os adolescentes. Numa
fase da vida em que as mudanças
corporais são uma constante, muitos se sentem
à margem dos padrões de beleza
vigentes e procuram na cirurgia plástica uma
melhora na qualidade vida. E é neste
momento que entra a responsabilidade do cirurgião
plástico.
Um cirurgião plástico é, antes
de tudo, um profissional da saúde com acesso
às diversas ferramentas que promovem o bem-estar
de seus pacientes.
É incorreto acreditar que um adolescente insatisfeito
com alguma imperfeição
estética esteja apenas supervalorizando esta
situação. Não é incomum,
nos consultórios, receber adolescentes com
problemas reais, infelizes,
retraídos e afastados de seus grupos sociais
com queixas fundamentadas.
Questões físicas provocam grandes traumas
nos adolescentes, numa fase da vida
em que eles já estão cheios de dúvidas
e inseguranças. Atualmente, no entanto,
a mídia criou a falsa impressão de que
a cirurgia plástica é a panacéia
para todos
os males da auto-estima e esta a armadilha que deve
ser evitada tanto por
profissionais quanto por pacientes. O cirurgião
plástico obedece a regras rígidas
da ética profissional e tem expertise para
optar pela melhor tratamento a ser aplicado
em cada paciente, inclusive no encaminhamento a um
tratamento psicológico.
Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica,
os adolescentes
são responsáveis por 13% das plásticas
feitas no país. Seria leviano acreditar
que este número refere-se apenas a meninos
e meninas com problemas infundados
de auto-imagem. A presença de adolescentes
não é um fenômeno recente,
o que ocorre é que há alguns anos era
normal falar em cirurgia apenas depois
do crescimento corpóreo. Com a evolução
das técnicas já é possível
operar joven
s em fase avançada de crescimento. E o aumento
do conhecimento médico
em genética colabora para esta prática.
Uma menina com mamas gigantes, que vem de uma família
cuja mãe e avó sofrem
do mesmo problema, não precisa esperar até
os 18 anos para decidir pela redução.
A cirurgia é o único recurso para eliminar
este problema e o cirurgião plástico
tem a palavra final sobre esta decisão. A exigência
é que a paciente esteja
bem psicologicamente e tenha uma expectativa realista
da cirurgia e do processo
pós-operatório. Mesmo correções
que aparentemente não passam de caprichos,
como orelhas de abano e nariz adunco, podem transformar
a vida desses jovens,
elevando a auto-estima e desfazendo traumas, principalmente
porque o adolescente
costuma passar por mudanças de ambiente –
trocar de escola, entrar na faculdade
– e reconstruir sua imagem.
O tratamento conferido ao paciente com imperfeições
reais, geradoras de traumas
e impeditivas do desenvolvimento psicossocial, obviamente
é diferente do aplicado
àquele que tem um problema de insatisfação
com a imagem. Para estes, o cirurgião
plástico deve recomendar não apenas
o amadurecimento da idéia, mas também
chamar os pais à co-responsabilidade pela decisão,
que pode mascarar problemas
psicológicos mais sérios. Meninas com
ambição à profissão de
modelo podem
realmente precisar se livrar de uma gordura localizada
que atrapalha sua carreira e,
por vezes, um procedimento simples evita que essa
fixação evolua para um quadro
de anorexia. Ainda que as cirurgias plásticas
vivam um momento de popularização
dos procedimentos, com facilidades para o pagamento
e técnicas menos invasivas,
cabe ao cirurgião plástico, profissional
especializado e balizado, decidir se as queixas
de seus jovens pacientes são procedentes ou
não. Norteado por valores éticos
e conhecimento específico, este profissional
da saúde vai decidir pela melhor solução
do problema, que pode ou não passar pela intervenção
cirúrgica. |