O amor
Ana Mello
Sempre fui romântica, lá no fundo, sem querer admitir. Dizia que não gostava
de frescuras como flores e poemas, porque tinha medo de não receber jamais.
Acreditei sempre no amor como um sentimento único, que não acaba,
que é solidário, que está associado ao carinho a amizade, ao bem do ser amado.
Acreditei em um amor pelo outro do jeito que ele é. Não naquele amor
que pretende modificar, modelar para seu próprio prazer. Um amor sincero
e tranqüilo, conversado e partilhado. Refúgio de todos os problemas,
paraíso de todas as conquistas.
Imaginei que para esse amor nenhuma rotina seria veneno, nenhuma briga
seria ferida. Presumi que o tempo seria aliado na maturação dos pensamentos
e atitudes, assim como no vinho.
Amor que faz poesia, beija a qualquer hora, faz declarações absurdas e tolas.
Tem música, perfume, lugar favorito. Tem paixão, e ela aparece sempre
para quebrar o ritmo tranqüilo de uma segunda-feira. E se faz namorado
mesmo depois de anos e anos de casamento.
Acreditar no amor é o primeiro passo para amar e amar muito e sempre.
... "Por tudo que se tenha dito.
Por mais que se tenha amado.
Sempre haverá um ser aflito.
Querendo ficar apaixonado.”
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