O bode
Ana Mello
A história do bode, quem contou foi meu irmão. Acho que é uma parábola árabe
ou chinesa.
Falávamos sobre pessoas que nunca estão satisfeitas. Não aquelas que constroem
novas metas constantemente, e são inovadoras. Mas aquelas que reclamam
de tudo mesmo e querem sempre que alguém resolva suas carências.
Estão sempre pedindo, e quando são atendidas, querem outra coisa. Costumam
aceitar com felicidade quando recebem algo, mas logo vão achando problemas
ou dificuldades no que obtiveram. Outras têm tudo de bom e não valorizam,
não enxergam a boa sorte.
Assim acontecia com os filhos de um lavrador. Eles ficavam em casa sem trabalhar,
sentados na sala reclamando de como era ruim, como a sala era pequena,
como era pouco iluminada e nada confortável. O pai então trouxe o bode do quintal
e deixou amarrado na sala com os filhos, que passaram a reclamar muito do bode.
Ele fedia, fazia as necessidades ali mesmo e ruminava o dia inteiro. Após alguns
dias o homem propôs tirar o bode da sala para deixar todos felizes. Alegria geral,
agora tudo estava bem.
Determinadas pessoas não vêem que a felicidade já está a seu lado. Eu também
cometo esse erro. Mas ultimamente estou querendo espalhar uns bodes por aí.
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