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ARTIGOS

As gurias superpoderosas
Ana Mello*
Como as gurias são complicadas! É o que os pais das meninas dizem aqui no sul.
Não é uma regra, mas a grande maioria. E concordo plenamente. Tenho filho,
e quando as filhas de amigos e parentes me visitam eu estranho e agradeço por
ter um representante da ala masculina sob meus cuidados.

As meninas potencializam todas as manias femininas. É mais complicado porque
elas ainda não fizeram suas escolhas definitivas e querem experimentar muito.
Muitos batons, xampus, vestidos, sapatos, limites. Tudo isto antes de sair,
em momentos críticos. Aí cabe uma observação. Acontece certo mimetismo
nas famílias. Quando a maioria é de homens, as mulheres acabam por copiar
determinadas características masculinas. Com ressalvas, é claro. Vestem-se
mais rapidamente, ficam mais descontraídas na escolha dos programas na TV,
menos estressadas na arrumação da casa. Aliás, uma decisão sábia pois mulheres
exigentes demais acabam trabalhando muito, e os parceiros e filhos ficam na folga.

Já em casas de domínio feminino, os homens cedem aos caprichos da mulherada.
Ficam mais vaidosos, colecionam xampus e cremes de barbear. Compram mais
sapatos e demoram muito mais se preparando para sair. Como é inevitável,
que todos demorem então.

Os pais, das gurias adolescentes que iniciam suas saídas noturnas, reclamam.
É muito mais difícil comandá-las. Penam para fixar horários para buscá-las
nas saídas das festas. Toda sexta elas querem meia hora a mais. Quando não
mandam um torpedinho quinze minutos antes da hora marcada avisando que o pai
da amiga aquela vai dar carona. Pobre do pai que já estava na garagem tirando
o carro, ou a caminho. Um deles, muito esperto, me contou ter ameaçado entrar
de pijama festa a dentro se as regras de horário fossem quebradas. Funcionou,
por um tempo. Ele mesmo diz que não há solução e o futuro dos homens está
fadado à dominação. Ele tenta disciplinar, não para impor sua autoridade paterna,
nada disso, o que ele pretender é facilitar para o futuro genro. Pode?

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